segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Leão Marinho

Acho que era o quarto ou quinto encontro, havia dois meses talvez.

Darlene rebolava e roçava seu corpo roliço e macio naquele corpanzil suado, quente, vibrante de Alcebíades. O rapaz puxou-a para um canto da boate. A música estava alta, disse em seu ouvido: "então, precisamos conversar sobre estes beijinhos". Conversar? - pensou ela. Ele prosseguiu: "É que eu não sou de ninguém. Eu não me comprometo".

Darlene ainda em broto se quebrou.

Ficou ali sem saber ao certo o que fazer. Como ela poderia prometer ou comprometer algo? Ela poderia dizer do próximo minuto (queria ele!) mas do amanhã? Do depois? Que presunção é essa de querer definir coisas? Em sua espontaneidade Darlene não teve respostas. Sentiu-se nua, "eu não sei o que dizer". Constrangida, retirou-se.

E nunca mais se disse nada.

(um pássaro sobrevoa e gorgeia: "ainda era construção mas já virou ruína")

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