segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Mobile Mkt - Faroeste Digital

Na longa e inóspita trilha que vamos abrimos rumo ao estabelecimento de um modelo de Mobile Mkt no Brasil, não faltam aventureiros. E oportunistas. E gente querendo enriquecer do dia para noite. Ok, somos humanos, e frente à promissoras oportunidades por vezes nos descontrolamos um pouquinho, faz parte. Digo isso porque tenho sentido o Mobile Mkt como um novo velho oeste, muitos entendem que estamos numa corrida pelo ouro e que podem, portanto, querer abraçar todas as pepitas.
Explico: de fato, o que salta aos olhos quando falamos de publicidade no celular é o número de aparelhos. Todos sentem-se tentados (quando não impelidos) a falar com os 140 milhões de aparelhos divulgados pela Anatel, número que cresce a olhos vistos. É comum em nossas visitas a agências ou mesmo empresas, pessoas altamente gabaritadas lançarem este objetivo, sem nem questionar eficácia, custo, relevância: 'quero fazer uma campanha que fale com 140 milhões de brasileiros'. Ouço isso vindo de VP´s.
Entendo que é de fato tentador pois, se considerarmos o Mobile Mkt como a segunda onda digital - onde a primeira foi a internet - aqui a grande vantagem é já sairmos com esta gigantesca capacidade instalada. Na era bolha da internet, este foi um dos grandes empecilhos: como popularizar a internet quando seu uso prescinde um computador, equipamento caro e pouco acessível? Já o celular...quase todo mundo tem.
No entanto, apesar desta aparente abrangência do meio, é preciso atenção e cuidado nas campanhas que envolvem o celular. Para uma boa ação de branding, lance mão dos sites configurados para esta mídia e de aplicativos que rodam no aparelho. Caso a intenção seja resposta imediata, SMS é imbatível. E aqui vai a dica de ouro deste faroeste caboclo: monte sua base de números de celular, com autorização (opt in) do usuário, ao invés de querer atingir indiscriminadamente os 140 milhões de brasileiros. Relevância é a palavra! A mina de ouro está no seu quintal, basta organizá-la.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Olimpíadas, uma reflexão

Vocês já pararam para pensar nas implicações intrínsecas ao fato de as Olimpíadas se realizarem na China?
Para começo de conversa, é uma brincadeira intrigante e muito criativa as 2 construções que abrigam as competições, totalmente lúdicas.
Cubo d´água. Onde já se viu água ser associada a formas exatas, retas, cúbicas? Água é o que há de mais fluido e orgânico na Natureza (você mesmo é composto por quase 90% dela). Achei um tanto curioso apresentá-la como um cubo.
Ninho de pássaro. Na Natureza, é uma construção que remete à suavidade, feito de finos fios, e abriga seres alados. Maior leveza não há. E na China, o ninho se faz com toneladas de metais e concreto, um tanto paradoxal, absolutamente interessante.
A China já usou outras formas arquitetônicas para se revelar. Um país de cultura milenar, mas que ao mesmo tempo se manteve fechado em relação ao resto do mundo desde a sua origem até hoje, tem em suas muralhas um símbolo bem significativo, que indica tanto a sua grande capacidade de construção e manifestação quanto também o quão fechado este grande país estava em relação a todos ao seu redor. É fascinante este momento de abertura que o país vive através das Olimpíadas, o gigante vermelho se abre para o mundo, e com ele a mente de 1/4 da população mundial, representada pelos mais de 1 bilhão de chineses que ali vivem. Enquanto havia muralhas cercando os corações e as mentes daqueles que lá estavam, isolando-os de todos ao seu redor, pequena era a sua perspectiva de mudança, envolvidos que estavam naquele lugar tão isolado e ao mesmo tempo tão populoso.
E agora, todas as culturas do mundo estão reunidas lá. Todas as raças da Terra estão reunidas lá. Toda a atenção de mais de 4 bilhões de seres humanos está focada lá. A China nunca mais será a mesma depois destas Olimpíadas, desta abertura, desta troca. O consciente coletivo do país deixa de vez o peso das tradições que atravancam o progresso, e se abre para o novo. E se a China - o país mais populoso do mundo, que mais cresce economicamente, que mais revela seu potencial - muda, o mundo muda. Não sei ao certo aonde estas mudanças nos levarão, mas tenho certeza que as coisas jamais serão como eram após estas Olimpíadas.
E até arrisco um palpite, considerando a data de início dos jogos (8/8/08): o oito é o número que representa a abundância. E, de fato, a China é abundância. Que esta abertura do país derrame sobre todos esta energia da abundância, para um mundo novo e criativo, onde ninhos se fazem de concreto e cubos de água se tornam possíveis.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tamanho não é documento, mas iPhone é

No final de semana quis alugar um filme recomendado por um amigo, e retirar filme em locadora era uma coisa que eu não fazia há tempos. Cheguei na Blockbuster do meu bairro munida de comprovante de endereço e CPF original, além de cheques e cartão do banco, para efetuar meu cadastro e me tornar sócia.
Filme encontrado, pipocas na mão, a atendente informa: "olha senhora, preciso de um documento com foto para efetuar o registro". E eu muito pacientemente respondi que o comprovante de residência estava em meu nome, e era o mesmo nome que estava no cartão e nos cheques, cartão que com minha senha pessoal e instransferível seria utilizado para pagar o filme. Em que momento do processo havia necessidade de uma foto?
Tive que falar com a gerente. Sem nem corar ela me respondeu "mas é que precisa provar que você é você". Ai meu santinho, pensei, onde eu vou arrumar uma foto agora que prove que eu sou eu? Lembrei do iPhone. Acessei meu cadastro do Twitter na frente da gerente, e lá estava meu nome e minha foto. Enquanto ela fitava o aparelho meio de esgueio exclamei contente: "viu? eu sou eu!"
Pois assim fiz meu cartão da Blockbuster e feliz da vida voltei pra casa com meu filme, imaginando como seria bom se o celular funcionasse também como documento, onde caberia RG, CPF, Título de Eleitor e até Carteira de Motorista, por que não? :-)