segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sobre as marcas e o Twitter

Acho engraçado as marcas querendo entrar no Twitter. Não sabem direito
o que tem ali, mas por alguma razão sabem que tem que estar lá. Mas,
afinal, o que é o Twitter? Se ele conquistou tão rapidamente uma
grande camada de formadores de opinião, como uma marca pode
experimentar este sucesso?

Pense que a twittosfera é uma grande Ágora, dos tempos gregos, e que
cada arroba (cada perfil) é um púlpito, com um sujeito ali proclamando
seus pensamentos, ideais, atitudes, para toda a praça ouvir. Ao redor
de alguns juntam-se muitos, interessados no que o orador tem a dizer.
Outros tantos falam sozinhos, pois seus assuntos pouco interessam à
uma maioria. Estes logo abandonam seus púlpitos, geralmente os mais
jovens. Os mais velhos nem à praça comparecem.

Agora imagine um sujeito chegando com seu púlpito, imagine-o com um
caixote de madeira e um megafone. Ele então começa a dizer "compre,
compre, compre". Quem é que vai ficar ali ouvindo? Pois é assim que
muitas marcas entram no Twitter.

Como em qualquer Ágora, em qualquer espaço público; o ambiente é
propício para o exercício da convivência e cidadania. É preciso
agregar algum valor coletivo ao discurso, seja uma informação, uma
prestação de serviço, um entretenimento ou até mesmo um brinde, nem
precisa reinventar a roda. Afinal, não é disso que o povo gosta? ;-)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Vamos nos abraçar

Já faz um tempo falei aqui do video A Quarta Tela, da Nokia, que explica bem esta convergencia do cinema pra TV, pro computador, e por fim pro celular. O vídeo tem uma passagem interessante sobre a sociedade atual, que diz "a sensação real de comunidade, através do virtual". De fato a experiência se tornou mais individual: se antes gargalhávamos em coro no cinema, hoje sorrimos sozinhos com o vídeo no celular, e o riso se torna coletivo num forward. As comunidades são virtuais.

À luz desta constatação, trago aqui o case ganhador de Cannes 'Que vuelvan los lentos' (http://www.youtube.com/watch?v=zPBmLDiemqg), cuja sacada é justamente essa: perceber que falta uma parte para tornar real o virtual, e dar uma forcinha. A campanha incentivava a volta das músicas lentas nas baladas, afinal essa é a hora da verdade, quando acontece o contato. O que era possibilidade vira realidade. Quem não se lembra dos bailinhos? ;-)

Ontem fui com uma amiga à exposição GamePlay, do Itaú Cultural. São 6 instalações e 11 jogos eletrônicos com participação aberta ao público. Logo de cara minha amiga empacou: "mas só tem videogame aqui?". Ela percorreu nervosamente os ambientes escuros e cibernéticos da mostra inconformada com aquele monte de gente interagindo com as máquinas. Na saída, indignada, exclamou: "Vamos se abraçar pessoal, porra!" :-D

Pode até ser que o mundo esteja cada vez mais virtual, mas de uma coisa estou certa: o comportamento humano tende a mudar sempre, mas a natureza humana não muda nunca. :-)
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Tateando o Twitter

Fiquei pensando sobre este texto da Luciana, e tendo a cada vez mais ter certeza de que o Twitter não é um aplicativo de rede social. Ele não pode ser comparado com o Orkut, My Space ou Facebook (que aliás, está se convertendo ao Twitter). O Twitter não tem páginas sobre você ou álbuns de fotos. No máximo te permite um link para você conectar seu "megafone" à seu blog, ao site da empresa, à alguma identificação.

O Twitter tampouco pode ser comparado ao MSN, pois não fala de 1 para 1, fala de 1 para muitos. Muitos grupos que retwittam e ecoam suas palavras. Me parece mais uma rádio pirata moderninha, com o mesmo quê de subversiva ;-) O Twitter é uma rede de informação, - e talvez articulação - não uma rede social.

Tramam-se conspirações pelo Twitter, como o movimento #forasarney endossado por Marcelo Tas (@marcelotas) e seus mais de 20 mil seguidores. Também presencia-se a formação de rede de amigos que estão aparentemente distantes de nós, como o pessoal da F-Twitter liderada pelo Nelsinho Piquet (@NelsonPiquet_). Sim, recebi a confirmação via assessoria que é ele mesmo que Twitta :-)

Eu particularmente classifico 2 tipos de uso do Twitter: aqueles que o usam direto no computador, e twittam links de sites, matérias, imagens e fatos que julga interessantes; e aqueles que twittam de dispositivos móveis (celulares) comentando fatos presenciados, simultaneamente ao tempo em que ocorrem. E, em ambos os tipos, sempre tem aqueles tweets que vem de dentro, algum desabafo, brincadeira ou comentário prosaico. Como disse Biz Stone, co-fundador do Twitter: "O Twitter não se trata do triunfo da tecnologia. Trata-se do triunfo da humanidade." :-)