segunda-feira, 31 de março de 2008

Portabilidade numérica, palavrinha mágica

Que as pessoas vivem tendo problemas com as operadoras de telefonia não é novidade. Cada hora surge uma nova dica de como se fazer ouvir pelos atendimentos dos callcenters, que incessantemente perguntam sua linha, seu CPF, perdem seu registro, reiniciam o atendimento, e quando parece que o problema enfim vai ser endereçado....cai a ligação ou o sistema. E vamos lá começar tudo de novo...Cada vez que tenho que resolver alguma questão com minha operadora reservo no mínimo 40 minutos do meu tempo e muita paciência. Pois descobri uma palavrinha mágica que agiliza meu atendimento e torna as telefonistas subitamente gentis, simpáticas e servis. Recupero minha dignidade junto as operadoras quando digo "não vejo a hora de implementarem a portabilidade numérica, vou deixar vocês no mesmo instante".
A portabilidade numérica está aprovada e regulada pela Anatel, mas alguns detalhes destes trâmites ainda estão sendo resolvidos, como os "inibidores". Os inibidores são medidas para dificultar o uso desta portabilidade, ou seja, fazer o usuário pagar uma taxa pela troca de operadora, ou ter que fazê-la pessoalmente numa loja. A empresa responsável pela gestão deste processo é a ClearTech, que fica incumbida de consolidar todos os números e monitorar todas as trocas. A portabilidade tem agitado principalmente o mercado de VAS (serviços agregados para celular como jogos e assinaturas de notícias), que estuda como ficará a oferta destes serviços frente à possibilidade de migração de operadora, dado que cada operadora tem uma política de VAS, com diferentes preços e formas de atuação.
Não sei quantos usuários terão interesse em utilizar este serviço de portabilidade, os números lá fora giram em torno de 5 a 9%. Para mim sempre foi um nó mudar meu número, mantenho o mesmo celular desde 2000, quando adquiri meu primeiro aparelho. Aguardo ansiosamente a implementação da portabilidade! Enquanto ela não chega, e para os mais desapegados, fica a dica de um site para achar e ser achado, o Mudou Para. (http://www.mudoupara.com.br/)
Espero que a portabilidade faça as operadoras entenderem que elas devem se relacionar com o ser humano por trás do número, já que este número, não é mais exclusividade delas.

quinta-feira, 20 de março de 2008

A mobilidade e o cocooning

Um projeto bem bacana chamou minha atenção enquanto pesquisava usos da tecnologia móvel, o Alô Cidadão. Trata-se do uso dos aparelhos celulares para promover a inclusão social. O sujeito se cadastra e passa a receber alertas via SMS (torpedos) com temas variados: vão de vagas de emprego a oportunidades de serviços, como a pintura de uma residência, passando pelos torneios esportivos da comunidade. O mais interessante é a razão pela qual o projeto nasceu: voluntários na favela da Pedreira, em Belo Horizonte, queriam comunicar a abertura de vagas numa rede de varejo próxima e não conseguiram chegar à comunidade para avisar as pessoas por conta de conflitos entre traficantes.

Isso me remete a uma previsão da futuróloga Faith Popcorn, que trata do enclausuramento, ou cocooning, lembram-se disso? Muitos afirmam que esta tendência é devida à violência dos dias de hoje. As pessoas temem sair de casa. Verdade. Mas como fica o cocooning quando consideramos a mobilidade que vivemos atualmente?

Passei o final de semana com 2 jovens de São Paulo num projeto em que sou voluntária, onde levamos crianças para o contato com a natureza. Fico feliz ao poder propiciar uma interação mais humana e natural com estes adolescentes que vivem enclausurados em shoppings, condomínios ou na frente de videogames. Após dois dias inteiros andando no mato, fazendo trilhas e tomando banho de rio, perguntei à uma das jovens o que ela faria ao chegar em casa. Ela respondeu: "vou direto ao MSN e Orkut, minha vida toda está lá". Fiquei um tanto surpresa: parece-me que até mesmo a vida real está a serviço da vida virtual. A experiência de vida é legal porque você pode postá-la e interagir virtualmente com sua rede social, fomentando-a.

Interessante. Nesta pegada vemos os sites sociais como Orkut, MSN e Twitter sendo transformados em aplicativos móveis, indo parar dentro dos celulares. O 'real time' é objeto de desejo dos jovens, sincronizando a vida real e a virtual. Talvez daí venha um viés a essa teoria do enclausuramento, onde as pessoas buscarão viver experiências interessantes para poderem compartilhar com seus amigos. Espero que a mobilidade nos permita driblar a violência e ter mais liberdade, vivendo a vida em todas as suas possibilidades.

sexta-feira, 7 de março de 2008

The day of light

Segue aqui a dica de um manifesto que está sendo difundido em diferentes países e idiomas através de ações na internet. É o Dia da Luz - The Day of Light - no dia 9 de março, quando as pessoas deverão comprar jornais e revistas que tragam ao menos uma matéria otimista e positiva na capa. Segundo os organizadores, a idéia é mostrar que notícia boa também vende. No fundo trata-se de uma defesa do direito que todos temos de acreditar que as coisas podem ser melhores e mais justas. Um pedido pelo maior equilíbrio entre notícias negativas e positivas, um NÂO ao medo e a desesperança. Este tipo de manifesto, organizado pela sociedade civil, dá pistas sobre o fracasso da reestréia do Aqui Agora, comentado esta semana.

Segue abaixo o vídeo do projeto, desenvolvido num mood bem "The Secret". J

http://www.thedayoflight.org/video_portugues.htm

Mais sobre o projeto aqui: www.thedayoflight.org

terça-feira, 4 de março de 2008

Branding, tecnologia e o ser humano

E por falar em entendimento do comportamento do consumidor e tecnologia (nota de ontem), segue a dica de um projeto desenvolvido pela Sense Worldwide, o "I love my..." (http://www.senseworldwide.com/ilovemy/). O projeto é um chamado para que os Sensers postem num site seu amor por alguma coisa – o tema varia - e isso vira uma série de books comportamentais, uma fonte rica de insights sobre o ser humano/consumidor. Os Sensers são pessoas cadastradas no network da Sense Worldwide, designados como "um grupo de indivíduos criativos, motivados e com opinião própria, de todas as partes do mundo". Achei inspirador :-)

De uma forma muito interessante eles conseguiram reunir tecnologia e comportamentos existentes para obter conhecimento humano, organizando um network colaborativo de forma lúdica.

Na página de apresentação do projeto a justificativa: "Comunicação é sopa hoje em dia (sic), então pensamos que poderíamos utilizar a nosso favor a tecnologia do dia-a-dia para criar um book utilizando nosso network." Simples assim. Vale conferir o resultado no site - o tema passado foi "I love my chair", o ganhador postou uma foto do banco de sua bicicleta - e mesmo não sendo um Senser você pode participar mandando sua foto/texto. São dois os temas atuais: "I love my mum" e "I love my shirt". Vá lá e manifeste seu amor :-)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Assim caminha o mercado – 1 parecer

Tenho aproveitado este agitado período pós carnaval - onde o ritmo dos negócios se intensifica e o mercado parece que desperta - para buscar uma recolocação profissional. Sou publicitária de formação, com um currículo que pode refletir o de muitos leitores, dado que passei por agência, multinacional e veículo. Pois trago um panorama: o que o mercado está demandando para este profissional?

As empresas que têm me chamado para entrevistas podem ser divididas em 2 categorias: mobile mkt e branding.

Os business de mercado mobile apresentam-se com crescimento mensal de 2 dígitos, seja empresa de conteúdo, marketing móbile ou comunicação via SMS. Em uma das conversas, fiquei sabendo que hoje existem mais de 90 empresas atuando no mercado de comunicação e conteúdo móvel no país, um crescimento virulento, reflexo da própria expansão da base de usuários de telefonia móvel. Atualmente são mais de 112.000.000 de celulares em operação no Brasil - uma penetração comparada à TV aberta – sendo uma mídia que fica 24hs por dia em contato com o espectador. Não se trata de tecnologia elitista: este número abrange todas as classes. De fato, o mercado mobile está fervendo.

Na outra ponta estão as empresas de branding e comportamento do consumidor, numa acurada perseguição pelo ser humano, que por vezes acaba disperso pelas novas tecnologias e o ritmo acelerado das transformações do mercado, soterrado por uma avalanche de informações, imagens e conceitos. Numa troca de email com uma destas empresas de branding e comportamento do consumidor, observei que a assinatura trazia a seguinte recomendação: "beba água". Ao questionar o porquê desta bandeira, obtive a seguinte resposta:

"Sempre falo pras pessoas beberem àgua, pq muitas delas simplesmente 'esquecem'. Porém a H2O é vital para sobrevivermos, uma necessidade básica. A bandeira levantada é uma preocupação com o ser, humano que somos, e o cuidado que estamos tendo com nosso próprio organismo. A função da empresa é essa. Fazer as pessoas pensarem porque bebem ou não água, ou porque vendem um produto e como. As pessoas precisam se repensar, como pessoas."

Acho mesmo é que precisamos nos repensar não só como pessoas, mas também como profissionais, diante desta velocidade de mudança comportamental e de mercado. E que devemos beber bastante água!