terça-feira, 23 de dezembro de 2008

80 caracteres em 31 segundos - o brasileiro mais rápido no gatilho

Após 1 mês de eliminatórias, saiu ontem o vencedor nacional da competição LG Mobile Worldcup. Com 14 anos, Isaac Lima é o mais rápido digitador de SMS do Brasil. Ele digitou um texto de 80 caracteres em 31 segundos e 22 centésimos, e levou para casa o prêmio de R$ 10mil. O torneio já passou pelos Estados Unidos, Coréia e Canadá. Os melhores de cada país se enfrentarão em 2009 no desafio mundial. Você pode experimentar a brincadeira e conferir seu tempo aqui (www.lgmobileworldcup.com.br)
De acordo com o informativo distribuído no evento, esta é a primeira ação da nova estratégia da marca para os próximos anos, que visa divulgar através de plataformas lúdicas todos os features disponíveis em seus aparelhos, contribuindo para a construção de uma "cultura celular". A MTV exibe hoje o compacto da grande final, realizada na Pacha, que teve Marcos Mion como apresentador.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Nokia lança celular ninja

As parcerias entre fabricantes de celulares e outras marcas se mostraram um caminho interessante para a diferenciação dos aparelhos. Nesta pegada, vimos no ano passado lançamentos com designs assinados, como os celulares LG Prada, os Motorola Ferrari, entre outras grifes. Agora a bola da vez parece ser a parceria com marcas e temas que forneçam também conteúdo, não apenas design e estilo.
Celulares com conteúdo pré-embarcado estão se tornando cada vez mais comuns no mercado mobile, e agradam o público pois o conteúdo é enxergado como "brinde digital". Aqui no Brasil vemos promoções pontuais de celulares que oferecem CDs inteiros embarcados, como alguns modelos comuns que vem com conteúdo da Pit e do NX Zero. Entendendo o interesse do consumidor por temas e conteúdos, a fabricante Nokia saiu na frente e lançou um "celular ninja", o Nokia Bruce Lee, chamado de Dragon Phone. Trata-se de um N96 com grafismos a laser do "mestre chinês" e outros detalhes no corpo do aparelho, além de conteúdos embarcados como fotos, vídeos e um game de artes marciais, entre outros. Aparentemente o modelo só será comercializado na China. Aqui no ocidente podemos ver o vídeo de lançamento, imperdível: http://www.youtube.com/watch?v=DpJAxqD6jiY
O site do novo modelo faz parte de toda a oferta deste aparelho e vale a pena a visita, apesar de estar em chinês http://www.nokia-lee.com.cn/

domingo, 9 de novembro de 2008

VENCE OBAMA, VENCE O MOBILE MARKETING


Chegamos ao final de mais um ano de crescimento do Mobile Marketing, no Brasil e no mundo. A campanha mobile do recém eleito presidente Barack Obama é o benchmark do ano, transformando em realidade a potencialidade do meio. Um artigo publicado na Mobile Marketer (http://www.mobilemarketer.com/cms/opinion/editorials/2049.html) desafia: "marqueteiros tem muito a aprender com a maneira que a campanha do jovem senador deu asas á imaginação e mexeu com a emoção de milhões de americanos através do mobile. Eles deveriam estudar como essa campanha despertou paixão através de 160 caracteres enviados no momento certo para o público certo".

Já aqui no mercado mobile brasileiro, muito se tem discutido a respeito do opt-in do usuário, afinal ninguém quer receber mensagem indesejada no celular. De spam já basta o email, faço fé para que haja bom senso neste novo meio. De maneira simples a campanha de Obama qualificou seu público. O convite era "envie OBAMA por SMS para 62262" (nos EUA). E aqui no Brasil este tipo de ação funciona da mesma forma. Posso optar em participar de uma campanha, de um projeto ou de todas as ações de uma marca - faço esta solicitação ao enviar uma palavra-chave para um determinado número curto. E posso, sempre, me descadastrar a qualquer momento, sem dificuldades.

Se é Olimpíadas, quero receber informações enquanto durar a competição. Quando entrar em dieta, quero poder receber dicas e incentivos. Da minha grife preferida então, quero saber t-u-d-o :-) E do meu candidato, do meu time, da minha comunidade, do meu signo: alguns temas eu gostaria de receber updates até mesmo diários.

E quando olho para dentro, noto este ano que o papel de cada um dos players neste mercado - marcas anunciantes, agências, integradores, operadoras - tornou-se mais claro. Assim como o fluxo. As marcas desejam atingir com relevância, particularidade e abrangência os consumidores via mobile. As agências traduzem esta necessidade em planejamento criativo para as Integradoras, que por seu papel são as detentoras dos caminhos e das conexões para transformar estas demandas em ações viáveis junto as operadoras - ao que parece a mídia da vez ;-). É através dos Integradores que as operadoras - cujo foco de negócio é telefonia - viabilizam um espaço em seus canais como um formato de a publicidade se valer do celular, formato este validado vide campanha de Obama. SMS é democrático, é poder ao povo.

O horizonte para 2009 parece promissor. A cada ano o mercado amadurece mais, na velocidade característica dos novos negócios de novas tecnologias. Conheça todas as histórias da campanha de Obama aqui (http://www.mobilemarketer.com/search.php?q=obama).
Algumas ações que vem sendo desenvolvidas no Brasil podem ser vistas nos blogs Mobilizado (http://leonardoxavier.typepad.com/), Mobilepedia (http://www.mobilepedia.com.br/) e no site da Okto (www.okto.com.br), tem bastante iniciativa interessante. E lá vamos nós para mais um Ano do Mobile Marketing! :-)

domingo, 12 de outubro de 2008

Tamagochis contemporâneos

Minha irmã usa um termo interessante para falar das comunidades e diários virtuais a que nos conectamos: Tamagochis. Orkut, LinkedIn, Facebook, MySpace, Messenger, Skype, Twitter, blogs - apenas para citar alguns - passam a existir somente quando os atualizamos. Perfis inativos são perfis irrelevantes. Daí a brincadeira: é preciso alimentá-los constantemente, cuidar, interagir; tal e qual os antigos bichinhos eletrônicos japoneses. Demanda tempo, atenção.
Andávamos sábado à noite na Av. Paulista, falando sobre os Tamagochis comtemporâneos, quando vimos uma cachorra atropelada tentando chegar na calçada. A pata traseira não firmava no chão. Liguei pro veterinário que conheço e acionei o resgate - acreditem se quiser, não existe qualquer serviço público para atender estas situações. Enquanto esperava, uma Twittada, dividindo com o universo minha angústia.
Algumas mensagens solidárias depois, eis que chega o socorro. E no final deu tudo certo. Fiquei pensando que, para bichinho virtual, escolhi me dedicar ao Twitter. Além de receber updates rápidos de temas e pessoas que me interessam, também permite que eu solte minhas mensagens engarrafadas neste vasto oceano... :-)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sobre a questão do consumo no planeta

Parece um tanto quanto óbvio tudo o que foi falado no vídeo que a Mariana disponibilizou, bem didático por sinal. Parece também que muita gente está de fato sensibilizada pela questão, apesar de muitos adotarem o marketing verde só por modismo. Que seja, pelo menos o fato de falar no assunto desperta interessa e gera debates, reflexões.
Eu procuro fazer a minha parte. Busco consciência a esse respeito, e tomo atitudes. Reciclo meu lixo, penso na água enquanto me banho, escolho coisas com um minimo de processamento e industrialização (fazer feira é uma ótima opção), evito embalagens demasiadas, reutilizo, tenho minha xícara de café e meu copo de vidro no escritório, poupando copinhos de plástico. Moro há 2 quadras do meu trabalho, vendi meu carro e ando a pé ou de bike. Para distâncias maiores, faço uso da imensa frota de táxis instalada na cidade. Evito revistas de beleza, sem grande esforço consigo não ser uma fashion victim. Tenho peças em meu guarda roupa, que ostento com orgulho, com mais de 20, 30 anos. Coisas que eram da minha mãe, do meu pai, feitas pela minha avó. Recorro frequentemente a costureiras e sapateiros - ofícios em desuso nestes tempos de descartabilidade, de obsolescência prematura. Ouço sempre o mesmo conselho: quebrou, joga fora. Deu defeito, compra outro. Consumo fugaz.
E apesar de fazer minha parte, constatei que para cada saco de lixo que eu produzo, ainda existem outros 70 que ficaram lá atrás, feitos dos resíduos da produção do meu consumo. A meu ver, uma realidade alarmante.
E neste contexto, com certa surpresa - e indignação - constato que algumas empresas parecem não só não entender e nem se sensibilizar com nada disso (existe um planeta só delas?), como também andar na exata contramão de tudo que está sendo dito e mostrado. Vocês viram a nova linha de produtos Mentos? Eles lançaram, num curto espaço de tempo, uma gama enorme de variantes cujas embalagens são de plástico injetado. Tem de todos os formatos - ovais, quadradas, cilíndricas - de todas as cores - verde, amarelo, vermelho - e ironicamente abrigam o ícone da descartabilidade: goma de mascar. E custam em média 7 reais. Fiquei tão atônita que perguntei na loja de doces se eles recolhiam as embalagens, ou se pelo menos tinha refil. Não tem. Compre meia dúzia de chicletes e leve muito plástico junto. Surreal.
Aí fui ver onde era produzido todo aquele plástico: os produtos vem das filiais da Van Melle na Turquia e no México. Poisé, apesar de tanta evidência, ainda tem gente que pensa que o mundo pode ser dividido em partes, e acham que ao poluir o quintal a casa está sendo preservada. Uma pena. E como conhecimento humano e sabedoria popular são itens que não se descarta, relembro aqui a frase de meu pai: o pior cego é aquele que não quer enxergar.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

TV no celular de graça esta semana

Uma dica para quem tem aparelhos Nokia série 60 (plataforma Symbian) e pertence as operadoras TIM ou Oi. Enviando a palavra TV por SMS para o número 670 você recebe um link para baixar o aplicativo em seu celular. A TV Mobile tem alguns canais como Discovery, MTV, Cartoon e Esporte Interativo entre outros, e o mais legal - atenção marcas - oferece a possibilidade de criação de um canal próprio, customizado. Um acordo com as operadoras garante que o tráfego de dados será gratuito, o modelo comercial baseia-se em assinatura por período. Durante esta semana, no entanto, nem assinatura será cobrada. Aproveite o teste oferecido e divirta-se enquanto espera o ônibus, a manicure, a reunião... Em breve disponível também para usuários da BrT (Brasil Telecom). E viva a convergência dos meios! ;-)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Mobile Mkt - Faroeste Digital

Na longa e inóspita trilha que vamos abrimos rumo ao estabelecimento de um modelo de Mobile Mkt no Brasil, não faltam aventureiros. E oportunistas. E gente querendo enriquecer do dia para noite. Ok, somos humanos, e frente à promissoras oportunidades por vezes nos descontrolamos um pouquinho, faz parte. Digo isso porque tenho sentido o Mobile Mkt como um novo velho oeste, muitos entendem que estamos numa corrida pelo ouro e que podem, portanto, querer abraçar todas as pepitas.
Explico: de fato, o que salta aos olhos quando falamos de publicidade no celular é o número de aparelhos. Todos sentem-se tentados (quando não impelidos) a falar com os 140 milhões de aparelhos divulgados pela Anatel, número que cresce a olhos vistos. É comum em nossas visitas a agências ou mesmo empresas, pessoas altamente gabaritadas lançarem este objetivo, sem nem questionar eficácia, custo, relevância: 'quero fazer uma campanha que fale com 140 milhões de brasileiros'. Ouço isso vindo de VP´s.
Entendo que é de fato tentador pois, se considerarmos o Mobile Mkt como a segunda onda digital - onde a primeira foi a internet - aqui a grande vantagem é já sairmos com esta gigantesca capacidade instalada. Na era bolha da internet, este foi um dos grandes empecilhos: como popularizar a internet quando seu uso prescinde um computador, equipamento caro e pouco acessível? Já o celular...quase todo mundo tem.
No entanto, apesar desta aparente abrangência do meio, é preciso atenção e cuidado nas campanhas que envolvem o celular. Para uma boa ação de branding, lance mão dos sites configurados para esta mídia e de aplicativos que rodam no aparelho. Caso a intenção seja resposta imediata, SMS é imbatível. E aqui vai a dica de ouro deste faroeste caboclo: monte sua base de números de celular, com autorização (opt in) do usuário, ao invés de querer atingir indiscriminadamente os 140 milhões de brasileiros. Relevância é a palavra! A mina de ouro está no seu quintal, basta organizá-la.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Olimpíadas, uma reflexão

Vocês já pararam para pensar nas implicações intrínsecas ao fato de as Olimpíadas se realizarem na China?
Para começo de conversa, é uma brincadeira intrigante e muito criativa as 2 construções que abrigam as competições, totalmente lúdicas.
Cubo d´água. Onde já se viu água ser associada a formas exatas, retas, cúbicas? Água é o que há de mais fluido e orgânico na Natureza (você mesmo é composto por quase 90% dela). Achei um tanto curioso apresentá-la como um cubo.
Ninho de pássaro. Na Natureza, é uma construção que remete à suavidade, feito de finos fios, e abriga seres alados. Maior leveza não há. E na China, o ninho se faz com toneladas de metais e concreto, um tanto paradoxal, absolutamente interessante.
A China já usou outras formas arquitetônicas para se revelar. Um país de cultura milenar, mas que ao mesmo tempo se manteve fechado em relação ao resto do mundo desde a sua origem até hoje, tem em suas muralhas um símbolo bem significativo, que indica tanto a sua grande capacidade de construção e manifestação quanto também o quão fechado este grande país estava em relação a todos ao seu redor. É fascinante este momento de abertura que o país vive através das Olimpíadas, o gigante vermelho se abre para o mundo, e com ele a mente de 1/4 da população mundial, representada pelos mais de 1 bilhão de chineses que ali vivem. Enquanto havia muralhas cercando os corações e as mentes daqueles que lá estavam, isolando-os de todos ao seu redor, pequena era a sua perspectiva de mudança, envolvidos que estavam naquele lugar tão isolado e ao mesmo tempo tão populoso.
E agora, todas as culturas do mundo estão reunidas lá. Todas as raças da Terra estão reunidas lá. Toda a atenção de mais de 4 bilhões de seres humanos está focada lá. A China nunca mais será a mesma depois destas Olimpíadas, desta abertura, desta troca. O consciente coletivo do país deixa de vez o peso das tradições que atravancam o progresso, e se abre para o novo. E se a China - o país mais populoso do mundo, que mais cresce economicamente, que mais revela seu potencial - muda, o mundo muda. Não sei ao certo aonde estas mudanças nos levarão, mas tenho certeza que as coisas jamais serão como eram após estas Olimpíadas.
E até arrisco um palpite, considerando a data de início dos jogos (8/8/08): o oito é o número que representa a abundância. E, de fato, a China é abundância. Que esta abertura do país derrame sobre todos esta energia da abundância, para um mundo novo e criativo, onde ninhos se fazem de concreto e cubos de água se tornam possíveis.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tamanho não é documento, mas iPhone é

No final de semana quis alugar um filme recomendado por um amigo, e retirar filme em locadora era uma coisa que eu não fazia há tempos. Cheguei na Blockbuster do meu bairro munida de comprovante de endereço e CPF original, além de cheques e cartão do banco, para efetuar meu cadastro e me tornar sócia.
Filme encontrado, pipocas na mão, a atendente informa: "olha senhora, preciso de um documento com foto para efetuar o registro". E eu muito pacientemente respondi que o comprovante de residência estava em meu nome, e era o mesmo nome que estava no cartão e nos cheques, cartão que com minha senha pessoal e instransferível seria utilizado para pagar o filme. Em que momento do processo havia necessidade de uma foto?
Tive que falar com a gerente. Sem nem corar ela me respondeu "mas é que precisa provar que você é você". Ai meu santinho, pensei, onde eu vou arrumar uma foto agora que prove que eu sou eu? Lembrei do iPhone. Acessei meu cadastro do Twitter na frente da gerente, e lá estava meu nome e minha foto. Enquanto ela fitava o aparelho meio de esgueio exclamei contente: "viu? eu sou eu!"
Pois assim fiz meu cartão da Blockbuster e feliz da vida voltei pra casa com meu filme, imaginando como seria bom se o celular funcionasse também como documento, onde caberia RG, CPF, Título de Eleitor e até Carteira de Motorista, por que não? :-)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A última fronteira

Estes dias tomei distância para ter uma visão panorâmica do mobile mkt. (Aproveito e peço desculpas pela ausência desta coluna)
Fiquei tão suspensa quanto as políticas e regras para o mobile mkt, que neste exato instante estão sendo definidas pelas operadoras. A boa nova é que estamos chegando num modelo comercial e parece haver um consenso quanto a algumas práticas, como por exemplo duplo opt in do usuário. Significa preocupação e preservação do usuário, garantia de relevância para os conteúdos que trafegarem via rede de operadoras. Você só vai receber aquilo que quiser mesmo, e isso é ótimo, afinal ninguém quer ficar recebendo mensagens indesejadas.
Enquanto estas regras estão em definição, há de se lembrar que mobile mkt não é apenas telefonia. A beleza (e a promessa) do mobile mkt é ele atuar como uma forma de comunicação em dispositivos móveis, não somente - ou simplesmente - telefones. Esse aparelho cuja densidade é de 68,2 cel/100hab e que carregamos 24hs pra cima e pra baixo, pode fazer mais por nós.
É claro que quando trata-se de comunicar com aproximadamente toda esta base, faz-se uso do SMS, afinal todo aparelho (e já 51% da população) está apto às mensagens. E o mais legal: elas vão e vem, você dá e recebe, rola uma interatividade imediata, impulsiva e móvel. Desenhar e implementar ações neste cenário é um belo desafio para diversas áreas: atendimento, BTL, digital, novos negócios, mídias, planners, comercial, produção. Cabe muita coisa e cabe em muita coisa.
E há de se lembrar das outras formas de comunicar e interagir pelo celular, ferramentas mais exclusivas, para um público seleto. QR Codes, Bluetooth, Downloads. É, ainda não atingem a grande parte da população. Muitos aparelhos não tem a tecnologia, outros tantos não sabem usar. Enfim, para poucos e bons ;-)
E quem não gosta de ganhar brinde? Desafio as marcas a distribuirem suas amostras grátis em eventos pertinentes ao seu público, distribuindo vales brindes através do bluetooth, dando acesso à uma área exclusiva do evento, premiando com uma experiência bacana. Adoraria receber uma sobremesa em um restaurante oferecida por uma marca. Ou um café. Quase uma gentileza eu diria. Receber um drink gratuito na balada também não seria nada mal. Ações que estreitam relacionamento, a marca estende a mão ao usuário, acontece a parceria. E quantos será que estão prontos para dar as mãos?

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Quem não se comunica se estrumbica

E no começo era o verbo. Depois veio a escrita. E Graham Bell nos presenteou com o telefone, e a comunicação distante pode ser feita em tempo real. Hoje em dia são tantos os canais disponíveis que chega a parecer confuso. Mas basta um pouco de paciência e tudo se ajeita, as formas de comunicação vão se revelando como as mais adequadas para cada ocasião.
Eu uso email, uso MSN, uso SMS, uso Twitter, Skype e até mesmo lanço mão das velhas formas como telefonemas e cartas. Antiquados, mas tem seu espaço e sua serventia. São complementares, não substitutos. Regularmente, diariamente, estou multi conectada e tenho mil formas de me comunicar. Bendito mundo moderno.
Preciso de uma troca de informação rápida, ou enviar algum arquivo? MSN
Quero passar uma informação específica, dividir uma novidade com um parceiro? SMS
A informação é elaborada e complexa, o arquivo é grande? Email
A novidade é para ser espalhada ao vento, quero dividir uma alegria? Twitter
O papo vai ser longo e preciso estar com as mãos livres para outras coisas? Skype
Todas estas tecnologias precindem o bom e velho telefonema, a ligação direta e ofegante entre duas pessoas. Cada vez menos uso o telefone, que fica para casos mais pessoais, que não se resolvem num teclar de dedos.
E cada caso é um caso. Cartas e bilhetes escritos à mão entregam maior proximidade, carregam cheiro, traço, deflagram as incertezas com seus rabiscos. Cartas à mão para a avó, para os amores, para mim mesma. Bilhetes para os amigos, para os pais. Para a mãe, de vez em quando é melhor ficar só no SMS, para não dar muita corda. Mas os papos de mãe tem sim sua vez, só o Skype salva, e a conversação infinita é permeada por outros afazeres, afinal o tempo é escasso. E com todas as opções na palma da minha mão - o iPhone traz email, Skype, MSN, Twitter, SMS e até telefone - basta analisar como eu quero que a mensagem seja recebida para definir qual canal vou utilizar. Só não vale ficar calado. Manifeste-se! E como dizia o Velho Guerreiro: roda, roda, roda e avisa!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mobile Mkt l Poderoso, elitizado e jovem

O Comitê Gestor da Internet possui um centro de estudos sobre as tecnologias da Informação e da Comunicação, o CETIQ.br. (www.nic.br) Esta semana foram divulgados os dados sobre os desenvolvimentos das redes no país. Reúno aqui principais resultados, são percentuais sobre o total da população da categoria, por exemplo: 90% do total das pessoas classe A no Brasil possuem celular.
- Proporção de indivíduos que possuem celular
Brasil: 51%
Classe A: 90%
16-34 anos: 67%
- Tipo de Celular: Pós Pago (x Pré Pago)
Brasil: 10%
Classe A: 47%
Neste quesito quem fica à frente da média da população são os mais velhos (60+), nessa faixa etária 15% usa pós pago.
- Indivíduos que possuem celular com acesso a Internet
Brasil: 40%
Classe A: 60%
16-34 anos: 51%
- Atividades realizadas pelo celular
Brasil: Chamadas 77%, SMS 51%, Imagens & Fotos 15%, Videos & Música 11%
Classe A: Chamadas 92%, SMS 74%, Imagens & Fotos 44%, Videos & Música 20%
16-34 anos: Chamadas 82%, SMS 63%, Imagens & Fotos 22%, Videos & Música 17%
Estes são números atuais, que tendem a mudar velozmente (como peculiar em se tratando de tecnologias). Principalmente pelo aumento das redes 3G, a simplificação das atividades realizadas pelo celular através de melhoria dos aparelhos, a maior sinergia entre integradoras e mercado publicitário, a consolidação e/ou fusão de agências de mobile e, claro, a maior familiarização e aculturamento do usuário. Um esforço conjunto entre operadoras, fabricantes, integradoras, agências e mercado, para tornar o meio viável. Coisa bonita de se ver. Afinal o mês de maio fechou com 130,5 milhões de celulares e uma densidade de 68,2 cel/100 hab, segundo a Anatel.
Mas por enquanto as ações mobile que envolvem conteúdos parecem destinar-se a um público seleto, porém poderoso. A elite jovem. Cabe as marcas entender como se posicionar frente à essa 'gente fina, elegante e sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não' ;-)

domingo, 8 de junho de 2008

Seja breve

Tenho notado o seguinte movimento no mercado de mobile marketing: a onda no momento é fazer seu site móvel, ou site WAP. Como que um primeiro passo no be-a-bá da comunicação mobile, as marcas adotam a demarcação de seu espaço no território das operadoras através de microsites. Chega a lembrar o início da internet, quando todos lançavam suas páginas na web porque era preciso estar lá, e os sites tinham seu modelo de navegação pré concebidos e básicos como home / contato / produtos / histórico / onde encontrar. Nossa, quanto se evoluiu em termos de web.
Para entrar neste mercado de sites WAP, é preciso pensar simples. Assim como a TV não substituiu o cinema, e nem o computador substituiu a TV, o celular não susbstitui a internet. Não adianta pegar seu site web e jogar pro celular, são meios - formas de disponibilização de conteúdos - diferentes. Do celular espera-se conveniência, praticidade, agilidade. Simplicidade.
Se você tem um restaurante, por exemplo. No celular, quando eu digitar seu endereço no navegador (que seja curto por favor) ou clicar no link do resultado da busca que fiz no seu nome (Google Mobile, Yahoo One Search) as informações que procuro no site WAP são básicas: um menu, o telefone do local, endereço com mapa, talvez até um aplicativo onde digito minha localização e ele traça uma rota até o local. Não preciso saber do histórico do restaurante, nem sobre as novidades: quero algo sintetizado, direto. O site wap do UOL é um exemplo que acho bem bacana desta sintetização.
Sinto de fato ser essa uma premissa para este mercado de comunicação móvel: seja breve (e entretenha). No universo WAP, os catálogos mobile também são favoritos. Uma maneira interessante de explorar a passagem real para digital é através de QR Codes impressos em revistas - numa campanha institucional de uma grife, por exemplo - que levam a um site WAP com o "look book" da coleção e os preços, mais localizador de lojas.
E nesta idéia de unir campanha institucional com produto e varejo, mando o link de um video feito para web, com o novo recurso de annotations do youtube. É o primeiro video publicitario comercial no youtube ao utilizar esta tecnologia. O vídeo é todo clicável, um videoclipe de esportes que dependendo da cena, te leva para um catálogo com produtos relativos àquela modalidade clicada. Parabéns para a Centauro que apostou na idéia. :-) http://br.youtube.com/watch?v=G2mXkaKCbf0

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O Mobile Marketing é sim uma realidade

Enquanto o mercado define suas regras para o Mobile Marketing, as agências assimilam premissas e processos quando o meio é o celular, e as marcas decidem quando é a hora de apostar neste canal de comunicação; algumas ações bacanas estão rolando por aí.
A Skol lançou um concurso cultural. Para o numero 49220, o sujeito manda um SMS respondendo onde ele armaria o boteco dele. Bem em linha com a campanha de TV e todo o conceito de comunicação. Eu armaria em cima de uma árvore no Second Life :-)
A Aymoré apostou no lançamento do novo filme do personagem Indiana Jones, e faz a promoção Caçadores de Prêmios. Serão distribuídos 90 milhões de pin codes nas embalagens dos produtos da marca. Para concorrer aos prêmios, o consumidor terá de enviar o código por SMS e, caso sorteado, tem que apresentar a embalagem premiada.
Ainda na linha de promoção pincode, Toddy lançou a "Boiada Toddy", onde até pantufa e fantasia de vaca o sujeito pode levar ao enviar o código encontrado no interior da tampa. Divertido, bem bolado.
A Coca Cola também investiu em ações de Mobile Marketing, e apostou na tecnologia bluetooth para entregar no celular 3 versões do filme de sua campanha "Fábrica da Felicidade", em uma ação de 2 meses no Shopping Morumbi.
E sorrateiramente, quase que sempre sem fazer alarde, o futuro chega. :-)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Estamos em Marte

Esta semana fiquei pensando nas diversas formas de relacionamento que se abrem com as novas tecnologias móveis, globais e imediatas. Como este site não trata de aconselhamentos amorosos, foco aqui o relacionamento profissional, mais especificamente do tipo empresa/marca/produto/serviço para o cliente. Muito se fala em interatividade no âmbito da comunicação publicitária. Colaborativismo, participativo, 2.0. Adjetivos "must have" para qualquer comunicação de ponta que envolva as tais novas mídias. Pois este final de semana experimentei uma forma passiva de interação, e me senti muito incluída.
Ontem de noite a sonda Phoenix pousou em Marte, e eu estava lá. Após 10 meses viajando, Phoenix aterrisa no planeta vermelho em busca de água. Além de reports completos no site da Nasa (http://www.nasa.gov/mission_pages/phoenix/main/), a equipe do projeto criou um user para a sonda, que virou personagem no Twitter (http://twitter.com/MarsPhoenix) e passou a postar informações sobre sua viagem e aterrissagem, tais como "I've landed!!!!!!!!!!!!! " e "Cheers! Tears!! I'm here!". A sonda personificou-se tanto que eu senti vontade de mandar um beijo pra ela - via post, claro - quando ela pousou.
A TV Nasa não transmitiu a aterrissagem, mas estava tudo na CNN, ao vivo. Pelo Twinkle eu recebia os reports instantâneos da sondinha Phoenix no meu fone, na internet eu acompanhava os passos do projeto e informações de background, e na TV pude acompanhar a contagem regressiva para o pouso, direto da sala do JPL em Pasadena (Jet Propulsion Laboratory), super na torcida, me sentindo uma deles. Vibrei como que em final de campeonato: estamos em Marte :-)
Não precisei votar na cor da sonda nem participar de um concurso para a escolha de seu nome, mas senti-me muito incluída pela Nasa neste processo. Apesar de participar passivamente, a atitude aberta e transparente para com o público - 'será que vamos conseguir sucesso neste arriscado projeto?' - me cativou, e o grau de participação foi dado na medida em que forneceram diversas formas para as pessoas acompanharem esta conquista. Frente a este exemplo repensei meus conceitos de colaborativismo e interatividade. Ao invés de gastar energia chamando e puxando as pessoas para 'entrarem na casa', basta abrir as portas e descortinar as janelas para se ter um passo interessante no desafio de relacionar-se com o público digital.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Este é o ano do mobile marketing, já ouviu isso?

Esta semana teve Tela Viva no Frei Caneca, um evento sobre tecnologias móveis, que centrou seu foco em Mobile Marketing. Palestras, fóruns, discussões, networking. Cases. Exemplos e contra-exemplos. Possibilidades. Obstáculos. Oportunidades e novos caminhos. Fazendo um apanhado geral sobre o que foi discutido, destaco alguns pontos:
1. A visão cética das agências, representadas na explanação da DM9. Sincera e compreensivel. A percepção das agências de propaganda é que ações mobile atingem 8 mil pessoas. Talvez o alcance seja pequeno quando se trata de utilização do celular como mídia puramente, quando ele entra na história como 'cereja do plano'. Se pensarmos na utilização do celular como meio de participação de um sorteio, por exemplo, (através do envio de um pincode por SMS) este número atinge a casa dos milhões, como os cases da Promoção Vidão Melitta (mais de 4 milhões de pincodes enviados) ou do Guaraná Kuat e Coca-Cola. Afinal uma das grandes vantagens do celular, ainda que não como mídia, é justamente o imediatismo, o impulso. Mande e participe. Resposta na hora. O sucesso do número de interatividades é reflexo imediato da campanha promocional, materiais off e online, muito PDV. Estimule o consumidor.
2. A necessidade veemente de se pensar Mobile dentro de uma estratégia 360. Sozinho, apesar de poderoso, o celular não faz nada. É preciso pensar, entender, comunicar. Alguns erros foram apresentados por uma agência, que planejou ações mobile para uma rede de cinemas e na hora de implementar descobriu que algumas salas ficavam no subsolo dos prédios, onde os celulares não funcionavam... Fazer ação bluetooth sem suporte de comunicação (avisos para ativar o aparelho, promotoras, totens explicativos) também não é bacana. Enfim, mobile está aqui para inovar e complementar, de forma alguma substituir, principalmente porque não caminha sozinho.
3. O poder do celular x a real utilização: é unânime a crença no potencial latente e pouco explorado do celular. São 124 milhões de aparelhos. 99% de penetração do uso de SMS. Uma arma fulminante que caiu nas mãos do mercado publicitário, mas veio sem manual.
3. A percepção de 'bolha dos descamisados'. Achei interessante este termo utilizado por um colega na conversa de corredores. São milhares de novas empresas, pessoas e projetos apostando no Mobile Mkt brasileiro. Diferentemente da bolha da internet, aqui não existem grandes grupos investidores aportando capital, as expectativas são altas mas os investimentos não acompanham. Tudo muito cauteloso. Um tanto árido as vezes, eu diria.
4. A sensação de "mas qual é o próximo passo para tudo finalmente acontecer?". Um dos palestrantes proferiu uma frase que tirou risos da platéia. Segundo ele, há 3 anos ele vem ouvindo a mesma sentença: 'este é o ano do mobile marketing'. Fica mesmo aquela sensação de realização iminente, está tudo aí, por que não acontece de uma vez? Eu vejo 2 razões mais óbvias: cultura do mercado e dificuldades impostas por players na operação. Sobre a primeira razão, fica a certeza de que há um trabalho conjunto para o aculturamento do consumidor quanto as novas tecnologias e recursos. Agências de propaganda, mídia televisiva, agências mobile, integradoras e fabricantes de aparelhos estão em um esforço conjunto para tornar tudo mais simples e mais fácil, mais acessível em termos de entendimento e tecnologia. Já a segunda razão não sei dizer como vai caminhar. As operadoras tem dificuldade em lidar com este aspecto da utilização publicitária de suas redes, e muitas ações de Mobile Mkt ainda dependem das operadoras. Que não compareceram no Tela Viva (à excessão da Claro). Quando elas não se posicionam, o mercado sofre uma paralisia.
5. E por fim, um destaque ao principal ponto: este mercado, poderoso porém embrionário, precisa sim deste esforço conjunto entre os players da cadeia de valor para torná-lo cada vez mais robusto e próspero. E num cenário onde até mesmo o anunciante se posiciona como mídia - vide exemplo da Nokia em Mobile Advertising, que considera o conteúdo embarcado em seus celulares, bem como a caixa do aparelho, espaços publicitários - fica uma sensação e um medinho que a conta pode não fechar. A esperança é que o mercado publicitário, empresas e agências, entendam melhor e possam apoiar o mercado mobile, contribuindo para a boa estruturação e longevidade desde canal de comunicação tão poderoso. Oportunidades e cases de sucesso não faltam. Quem sabe não seja este (também) o ano do mobile marketing? ;-)

Holaz Blogz

Primeiro post neste digníssimo veículo, sinto-me honrada. Agradeço ao Renaton a oportunidade e a forcinha com os aspectos técnicos desta nova aventura :-)
O que me motivou a escrever este primeiro post foi um email que recebi, de uma conceituada agência brasileira (top 3 eu diria), que tem alma até no nome mas na hora do vamos ver escorrega... :-(
Vocês já devem ter recebido emails semelhantes, mas este ganhou, "hour concour". Vejam abaixo, o texto fala por si só:
"Pessoal, precisamos de uma grande ajuda de vocês!

Estamos selecionando candidatos Portadores de Necessidades Especiais para o cumprimento e preenchimento da Lei de Cotas de Deficientes para a Algência. Se alguém tiver o conhecimento de um profissional PNE com experiência mínima e que esteja procurando uma oportunidade de trabalho, por favor enviar CV ou entrar em contato:
**Precisamos com urgência, qualquer ajuda será imensamente agradecida** "
As estrelinhas enfatizando a urgência e imensa gratidão (?) são qualquer nota... E isto veio de um RH. Agora eu me pergunto: não te parece infeliz? As empresas podem ser multadas sim se não cumprirem a lei de cota mínima (se não me engano 5% do quadro de funcionários, acho que varia conforme porte da empresa), quando passam por algum tipo de consultoria ou avaliação passam a "se preocupar com o assunto", mas por um viés bem tosco, que é o mero cumprimento da Lei. Grotesco, parece um mercado persa, "preciso de um lote de deficientes", ou então uma Bolsa de Valores, "estou compradora!". Bota infeliz nisso. De qualquer forma vou enviar o email para a coordenadora do Terra, uma ONG para pessoas com deficiência visual que acompanho desde 2004, bem bacana. www.grupoterra.org. Quem sabe uma pessoa cega lá na agência ensine as pessoas a enxergar melhor as coisas ;-)

domingo, 4 de maio de 2008

Fogueira high tech

Que a tecnologia evolui numa velocidade de progressão geométrica acho que ninguém duvida. Enquanto nossa capacidade de assimilar novos conhecimentos parece evoluir em progressão aritmética, o que nos dá a sensação de descompasso e anacronismo, quando nos entendemos como seres analógicos vivendo numa era digital. A Fernanda Romano já escreveu sobre essa ansiedade de estar conectado à tudo a toda hora, e a angústia decorrente desta impossibilidade. Que a tecnologia nos permite avançar e vencer barreiras de tempo e espaço também ninguém duvida, e muitos já vivem assim fulltime, se desdobrando em mil com aparatos tecnológicos, dispositivos móveis, softwares e aplicativos. Chega a dar uma euforiazinha em ter o mundo nas mãos. E um friozinho na barriga em estar nas mãos do mundo.
Num seminário sobre "Meios digitais de relacionamento com o consumidor 2.0", ouvi panoramas sobre a Web que me fizeram ampliar os horizontes de uma maneira quase que assustadora. Os gráficos de blogs - com suas citações em outros blogs - com 1 dia de vida, uma semana, um mês e 6 meses é impressionante. As ramificações coloridas se sobrepondo dia-a-dia parecem um cérebro com suas ramificações nervosas, onde cada nódulo (cada blog) seria uma sinapse. Uma visão literalmente blowing mind. Pude constatar concretamente: estamos todos interligados, somos todos UM. Neste universo de opinião pública, um território de livre expressão, atuam os SACs 2.0, monitorando conversas, artigos, comentários e posts em sites de relacionamento social e blogs. Destacam as situações onde determinada marca é citada, e avaliam o nível de criticidade daquele comentário. Se foi chumbo grosso, corre escrever um scrap para o fulaninho e tratar de botar panos quentes na situação, afinal um boato na Web corre na velocidade da luz. Aliás, qualquer informação na Web tem a velocidade da luz, e assim que alguém clica o botão "postar", pronto: a pagina já foi de alguma forma indexada e não é possível voltar atrás. No mesmo seminário ainda pudemos discorrer sobre o papel do celular nesta nova era, e a visão muito interessante de um fabricante sobre a "quarta tela". Aqui http://www.youtube.com/watch?v=XpeNk3E36YU A primeira foi o cinema, a segunda a TV, a terceira o computador e a quarta o celular. No meu entendimento, todas versões modernas da boa e velha fogueira dos tempos neandertais, ao redor da qual os homens descansavam da caça fixando seus olhares no fogo e as mulheres cuidavam da comunidade, alimentando, conversando, curando. A diferença é que de seres coletivos estamos aparentemente nos tornando mais individuais, através de nossas fogueirinhas particulares. Depois de um dia inteiro expandindo minha mente sobre o mundo moderno, não pude deixar de lembrar: ainda sou um ser humano, meu dia continua tendo 24hs, preciso dormir 8hs, me alimentar 3x ao dia, ir ao banheiro outras tantas, e beber muita água. Tem gente que deve ficar triste com isso. Eu, ao contrário, me senti aliviada. Apesar dos incríveis avanços velozes da tecnologia, como ser humano e seres naturais que somos, temos uma evolução bem mais modesta. E é deste balanço que vem a nova era. Acredito que quem conseguir equilibrar estas duas realidades tem grandes chances de ser feliz, seja uma pessoa, uma marca ou, quem sabe, uma sociedade inteira. A sociedade dos seres humanos.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

In love com a apple

Apesar de ser um telefone e ter o phone no nome, o iPhone da Apple é mais usado para navegar na Internet e ouvir música. Essa foi a conclusão de uma pesquisa realizada pela consultoria iSuppli, nos EUA.

Durante 71% do tempo, os usuários de celulares comuns falam ao telefone. Em se tratando de iPhone, somente 46% do tempo é gasto em funções de comunicação via voz.

Em compensação, durante 12% do tempo, os usuários do telefone da Apple navegam na Internet. Os usuários de outros aparelhos navegam apenas 2% do tempo. Quando o assunto é e-mail, também há mais vantagem para o iPhone: 12% do tempo é gasto enviando mensagens.

É a prova de que a Apple conseguiu fazer um dispositivo multi-funcional e agradável de usar. Além de prático, difere-se de smart phones porque possui softwares do gênero besteirol – cri-cri de grilo, formigas passeando na tela, "raio-x", copo de chope, pipoqueira... Divertidíssimo

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A velocidade do 3G

Na semana passada fui comprar um modem 3G para acessar a internet em meu notebook de forma móvel. Este pequeno dispositivo se conecta à web através da rede de telefonia celular, até mesmo dentro do carro em movimento posso navegar, pois é como se estivesse falando ao telefone (com a diferença que o tráfego é de dados e não de voz). A tão esperada tecnologia 3G pode ser traduzida como a banda larga da telefonia, maior velocidade e qualidade em sua conexão – melhor som, melhor imagem - potência e capacidade. Inúmeras possibilidades. É, tentador.

As operadoras quase que simultaneamente lançam seus produtos 3G: telefones, modems e placas PCMCIA, todos preparados para navegar nas novas redes 3G, que paulatinamente são instaladas no país. A febre pelo novo traz correria às lojas, e eu também queria o meu modem 3G. Uma operadora lançou a promoção matadora: traga sua conta de internet de outra telecom, assine nossa conexão 3G e leve o modem gratuitamente. Foram quase dez dias entre conseguir ser atendida, conseguir reservar um modem e finalmente ser chamada para buscá-lo. Levei a última peça da loja, e na boca do caixa a surpresa: "olha, só que a promoção mudou, a tabela virou ontem e agora o modem não é mais gratuito, custa 199". Só para variar, aquela horrível sensação de impotência quando lido com operadoras me assolou. Lembrei dos desenhos animados onde o personagem constrangido vira um pirulito. "Sucker", senti e pensei, é assim que sou vista e tratada pelas operadoras. E eu sou 'apenas uma atendente', justificou-se a moça da loja. Um tanto injuriada, ainda tentei ir na concorrente para fazer melhor negócio, mas que nada: ali os modems haviam acabado há tempos e não havia previsão. Cansada dessa história, voltei e entubei a tal "mudança na promoção" apesar de ter feito a reserva da peça com antecedência - quando era gratuita - e fui para casa chateada. Que porcaria de experiência de compra, era para eu estar contente com minha aquisição mas me sinto pega numa emboscada.

Passado o desgosto inicial, vou usar minha nova conexão. "É plug & play – havia me explicado a atendente – basta conectar na porta USB e o software se instala automaticamente, já começa a funcionar, você fica apta a navegar na super velocidade do 3G". Uau. O argumento plug & play é deveras convincente: basta conectar o cabo e tudo acontece. Sorrisos. Bem, na verdade não foi assim. Penei horas para fazer o modem funcionar e não consegui. Os amigos geeks vieram me ajudar, um outro me auxiliava pelo Skype a descobrir o problema, enquanto eu baixava um software que um deles achou e me mandou para eu tentar instalar. E nada. Todos elocubravam: "deve ser porque a rede está congestionada", "talvez não esteja com sinal", "deve ser o firewall". Uma fuçação sem fim nas configurações, no painel de controle, e eu só pensando "minha nossa, eu nunca conseguiria fazer isso sozinha". Até que funcionou. E depois quando cheguei em casa não funcionou. E na derradeira tentativa, ao final do prazo para devolução da peça caso estivesse insatisfeita, funcionou de vez. Engraçado isso, parece que pegou no tranco. Achei que a tecnologia fosse uma coisa mais matemática e precisa, cartesiana. Mas não.

O aprendizado que fica desta experiência paradoxal – até mesmo a busca por velocidade pode ser um processo lento – é que de fato essa é a essência: para tudo nesta vida é preciso paciência. Tanto para as novas tecnologias como para as velhas humanidades. Talvez porque, como dizia Beverly Sills, não há atalhos para qualquer lugar que valha a pena.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Quanto vale sua rede de amigos?

Tenho presenciado algumas discussões sobre os caminhos do mobile marketing, e em muitas delas este caminho se cruza com os do CRM (customer relationship management). Basicamente o que se diz é que a propaganda do futuro precisa ser personalizada, pois as pessoas querem ofertas que lhes digam respeito. Parece que o consumidor não quer saber se a massificação traz economia de custo por ganho de escala, ele quer algo que converse com ele, apenas com ele. Para poder fazer acontecer esta mágica de uma oferta personalizada, é preciso conhecer o consumidor. Aí entra o CRM, com seus cadastros e cruzamentos de informações, tornando cada consumidor único. A palavra de ordem é "personalização massificada". O mobile marketing, neste futuro, é o personal channel que entrega a mídia, afinal nada mais pessoal que um celular.

Um exemplo fictício (e lembre-se que a vida imita a arte) é o filme Minority Report. Painéis de mídia exterior chamam o consumidor pelo nome, oferecendo produtos e serviços. Conhecer o consumidor é de fato peça chave para o sucesso das futuras campanhas, mas acrescento aqui um componente pouco retratado nestas discussões e menos ainda no filme: a mídia social.

Num mundo onde dizer-se marketeiro é quase tão vergonhoso quanto ser político, onde a descrença na propaganda toma conta do consumidor médio, onde ações se confundem e se reduzem a "golpes de marketing", realmente parece importante o aval e a recomendação de algum amigo, alguém conhecido.

Aí leio os posts da Fernanda Romano, sobre o frenesi entre as comunidades que se twittam contando novidades, comentando, recomendando. E depois sobre uma comunidade inteira do Twitter colocada à venda, valendo muitos dólares. Acho que esta foi uma manobra bem esperta para testar o valor de uma rede social de alguém influente. E, interessante, já tem bastante gente percebendo o valor disso. O futuro não está tão distante, pois.

Acredito que a propaganda do futuro é a soma do conhecimento e entendimento do consumidor, com a oferta inteligente entregue na hora propícia, onde a marca consiga mobilizar redes sociais ao seu redor e a seu favor, criando uma cadeia de valor 'retroalimentável'. O bom e velho (e efetivo) boca-a-boca se moderniza e vira o thumb-to-thumb, onde as dicas e recomendações são repassadas num twittar de dedos

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Para quem quiser brincar com os QRCodes

Os QRCodes despertaram a curiosidade de vários leitores, envio a dica de um projeto muito bacana da Wikipedia, cujo intuito é divulgar as informações desta superbiblioteca que agora está acessível também no celular. O Semapedia (www.semapedia.org) é um site onde você pode criar um QRCode qualquer (experimente escrever "Brasil" no final do link da barrinha vermelha) e automaticamente ele gera um PDF com 8 códigos para você imprimir, recortar e colar por aí :-) Os codes levam ao site móvel da Wikipedia, direto pro tema que você selecionou. No caso do Brasil são infos, mapa, brasão e muito mais. Tudo na palma da sua mão. O legal do site é que ele disponibiliza gratuitamente os softwares de leitura (scanners) para diversos tipos de celulares, basta escolher o seu e baixar.
Para quem prefere brincar com os Codes de maneira mais pessoal, a Nokia disponibiliza em seu site o "Create your own code". (http://mobilecodes.nokia.com/) Você pode criar um cartão de visita com seu telefone, seu blog e seu site e transformá-lo num QRCode, enviando para amigos por email que ao escaneá-lo, terão suas contact infos registradas direto no celular. Estar na mão dos amigos nunca foi tão divertido :-)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Os QR Codes e o mobile marketing

Recebi alguns emails de pessoas comentando o QR Code, e acho legal dividir com os leitores estas percepções e opiniões.

O QR Code é sem dúvida uma ótima ferramenta para se fazer marketing mobile, pois como o próprio nome diz, é um código de resposta rápida (quick responde code). E adoramos praticidade e agilidade neste mundo moderno, não é mesmo? J

Alguns - mais ansiosos? - questionam sua eficiência alegando (corretamente) que é preciso baixar um software antes para então tornar o celular habilitado a brincar com estes códigos, o que torna o processo um tanto complexo e trabalhoso. O QR Code é mesmo um código de barras, universal como a tradicional seqüência de barrinhas, mas em 2D, criado pela japonesa Denso-Wave. Não é de se admirar, portanto, que a Toyota tenha sido pioneira na adoção desta tecnologia aqui no Brasil: no Japão ela é bem difundida, existe desde 1994. Sendo um código de barras, basta um scanner (ou leitor óptico, como esse de padaria) para lê-lo. E é isso que o tal software faz com seu aparelho: transforma-o num leitor específico de códigos de barras 2D através da câmera embutida no celular.

Acho fantástica esta tecnologia, o código funciona como uma chavinha mágica para um mundo de informações, pois com apenas um clique (e o tal software instalado) você tem acesso à diversos conteúdos dentro do seu celular: sites WAP, aplicativos, games, catálogos de produtos... Muito Matrix J

De novo o gargalo aqui é a cultura da população (já que praticamente todos os celulares produzidos atualmente saem de fábrica com câmera), por isso coloco o QR Code no pacote de ferramentas de mobile mkt que dependem apenas de tempo para serem amplamente utilizadas.

O seguinte comentário que recebi me faz acreditar cada vez mais nisso: "fiz um projeto uma vez pra descendentes brasileiros de japoneses que vão trabalhar lá no Japão e descobri que tudo lá tem QR Code: jornais, revistas, produtos nas lojas, peças publicitárias...e os japoneses usam mesmo, como "um saiba mais" e para comparar preços, comprar, baixar conteúdos. Sei que o Japão é bem longe mas acho que é mesmo uma questão de tempo apenas."

Além da Toytota e Umbro, olha só que outro uso legal para os QR Codes. O Facebook lançou em seu site um programa chamado Add to Friends Shirt, que possibilita ao usuário criar uma camiseta com seu QR Code, que linkará o celular das pessoas a sua página no Facebook. Simples assim. Bacana, não? Arigatô.

domingo, 6 de abril de 2008

Assim caminha o marketing mobile

Tal e qual um rio corre para o mar, onde não há árvore, rocha, barreira ou barragem que o impeçam de cumprir seu destino; se este for o fluxo da comunicação humana – tornar-se móvel, imediata e acessível através de dispositivos celulares – não haverá obstáculos que impeçam seu caminho.

Prova disso é o lançamento do 'celular' N810 da Nokia, que junta a funcionalidade de um tablet mais a conexão de alta velocidade com a Internet, dispensando uso de operadora.

Quando fora do alcance de uma rede WiMax, ele se conecta à Internet por Wi-fi ou por redes de celular ao ser pareado por Bluetooth. O desenvolvimento do novo modelo partiu de uma simples premissa: para quê operadora se basta acessar a Internet e usar VoIP?
Segundo a Nokia, o aparelho estará disponível nos EUA durante o terceiro trimestre de 2008.

Contornando rochedos também fluem os caminhos do marketing móbile: a menina dos olhos deste mercado tem sido a tecnologia Bluetooth, que permite a troca de arquivos (seja áudio, vídeo ou texto) de forma gratuita, de aparelho para aparelho, endossando a potencialidade viral deste meio mobile.

Nesta mesma trilha estão os sites WAP, também chamados de microsites, ou sites móveis. Nada mais são do que uma nova, prática e resumida versão dos sites tradicionais para o ambiente celular. Rapidamente você faz uma consulta ao banco, pesquisa as notícias de seu jornal favorito, localiza a loja mais próxima de uma determinada marca, acessa seus emails, consulta um mapa da região, vê um catálogo da nova coleção.

Nestes dois casos, o gargalo da comunicação encontra-se nos próprios aparelhos, e também na cultura da população. No Brasil, ainda são poucas as pessoas que possuem celulares com a tecnologia bluetooth e que sabem usá-la, pois é preciso ativar o aparelho - nada muito complexo, porém ainda pouco propagado. O mesmo vale para a tecnologia WAP. Poucos sabem acessar o navegador de internet (browser) de seus telefones celulares. Ainda.

Acredito que seja apenas uma questão de tempo – médio prazo? - para estas tecnologias e este conhecimento estarem amplamente difundidos. Aqui não há barreira econômica e nem política, pois fabricantes tem autonomia para implementar estes avanços nos novos modelos, e o mercado aprende velozmente a brincar com estes novos gadgets, que tem se tornado cada vez mais amigáveis. Quem já viu um iPhone sabe do que estou falando. E quem viver verá!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

As boas práticas do mercado mobile, 1 ensaio

Na semana passada houve o Mobile Marketing Forum, evento de lançamento da Mobile Marketing Association no Brasil - MMA LATAM - cuja sede será em São Paulo. O propósito da associação é a promoção do crescimento do mercado de mobilidade. A MMA atua por meio do estabelecimento de regras, melhores práticas, comitês de estudo, fóruns e eventos para intercâmbio de idéias. Ressalto aqui alguns pontos discutidos no Fórum que achei bem interessantes. O Fórum contou com a participação de palestrantes da Abril, The Coca-Cola Company, Nielsen Mobile, Media Contacts, Yahoo e Playphone, entre outros, além de mesa redonda com operadoras.

Andre Zimmermann, Diretor Geral da Media Contacts Brasil vê 2 momentos da publicidade. O atual, guiado pelo conceito de Top Of Mind, onde o que vale é a lembrança da marca, cobertura e freqüência são a chave do sucesso, e quanto mais martelamos a mensagem na cabeça do consumidor melhor é. E o amanhã, guiado pelo conceito do Moment Of Truth, onde o que importa é cativar o consumidor; encontrar o momento e a mensagem propícios é o grande desafio, e o consumidor passa a valorizar a marca pelo que ela lhe entrega de valor.

Para ele, o sucesso do celular neste Moment Of Truth baseia-se em 4 preceitos: não ser intrusivo, agregar valor, ser simples e acessível, complementar outras mídias. Sounds good J

Já a Mobx, patrocinadora do evento, incentivou a adoção de 10 "mandamentos". São eles:

1. Nunca envie uma mensagem sem a autorização explícita do cliente;

2. O conteúdo da comunicação deve ser relevante e manter um tom de exclusividade;

3. Todos os conteúdos enviados devem ser adequados ao perfil de cada assinante. As informações precisam ser sempre segmentadas;

4. A comunicação deve ser curta e objetiva para ter mais eficácia;

5. Nunca repita para o mesmo cliente uma comunicação que já tenha sido enviada para ele. Isso fará com que ele pense que se trata de uma mensagem massificada;

6. Respeite as leis dos direitos autorais;

7. Nunca envie mensagens entre 20h00 e 8h00;

8. Pondere a quantidade de interações com cada cliente e lembre-se: existe um limite de envios para evitar a saturação do canal de comunicação;

9. Sempre permita que o cliente possa desautorizar o envio de mensagens com facilidade;

10. Quando o cliente optar por desistir de receber o conteúdo, respeite esta decisão.

Isso é música para nossos ouvidos cansados, não? Tomara que estas boas práticas sejam adotadas por todos aqueles que fazem parte deste mercado. As apresentações completas dos palestrantes estão disponíveis no site do evento: http://www.mobilemarketingforum.com/

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Polemico

A propaganda pelo celular é uma questão prá lá de polêmica, onde consumidores, operadoras, integradoras, agências de propaganda e marcas possuem opiniões (e atitudes) divergentes. Marcas e agências querem anunciar, consumidores querem benefícios, operadoras freiam este movimento em nome de um zelo pela privacidade do usuário, e as integradoras tentam fazer o meio de campo, buscando atender o mercado publicitário sem incomodar o consumidor nem desrespeitar as operadoras, contando com a ajuda das associações de Mobile Marketing nacionais e internacionais. Este é o retrato do mercado mobile brasileiro, ainda uma verdadeira zona.
O que mais me surpreende, na verdade, é esta certa hipocrisia que paira no ar quando as operadoras restringem (ou mesmo proíbem) as ações mobile. Concordo plenamente que este mercado tem que ser regulado para que não tenhamos os indesejados SPAMs pelo celular. Se já são irritantes em sua caixa de email, que dirá no seu telefone. O intrigante é que, toda vez que me sinto incomodada pelo celular, sentindo que houve um abuso, adivinhem de onde vem a mensagem? Justamente das operadoras! As que mais restringem a tal "propaganda pelo celular" são as que mais mandam mensagens indesejadas e totalmente fora de contexto. Ainda penso: "poxa, como esses caras mandam esta oferta para mim? Não tem nada a ver com meu perfil". É tal qual receber aqueles SPAMs de "aumente seu pênis", logo eu que sou mulher. Ou seja, conhecimento zero do interlocutor. E das operadoras concorrentes vivo recebendo ligações inconvenientes, o que pressupõe uma prática antiética e condenada pelas mesmas: adquiriram meu número comprando algum banco de dados duvidoso, quiçá num mercado negro de listas em algum lugar na Santa Efigênia. Eu não autorizei isso.
Segundo Laura Marriott, presidente da Mobile Marketing Association (MMA) - uma organização sobre propaganda no celular que reúne anunciantes, operadoras e agências de publicidade em todo mundo - oferecer a possibilidade de participar de sorteios, promoções ou até ganhar direito a mandar mensagem de texto (SMS) sem pagar nada são excelentes formas de atingir os consumidores. Ela esteve no Brasil na semana passada, justamente para incentivar a regulamentação do uso desta propaganda, através de boas práticas e regras. São regras que definem como as pessoas recebem as propagandas, se elas vão fazer isso de forma voluntária e como poderão optar por não recebê-las. Além disso também há regulamentações sobre a distribuição de conteúdos gratuitos junto com o anúncio.
As vantagens são inúmeras. Além da penetração maior que TV aberta, nos celulares existe um diálogo, você consegue criar uma comunicação direta com clientes. É um poder que nenhum outro meio tem. Hoje as peças publicitárias precisam interagir umas com as outras e o celular atua nesse papel. É possível trazer os consumidores para os celulares usando propagandas em jornais, TV, painéis em aeroportos. Você leva a interação e revitaliza os meios mortos, passivos. Uma pessoa vê um painel publicitário e pensa: 'Olha só o que eu posso ganhar se enviar esse código pelo celular'. Um painel que normalmente passaria despercebido. Com o celular, a campanha continua.

É uma questão de tempo para a hegemonia (e a máscara) das operadoras cairem neste embroglio chamado Mercado Mobile brasileiro, e que elas tenham a humildade de aprender com quem sabe fazer, cada um no seu negócio. Mercado de telefonia é uma coisa, mercado publicitário é outra.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Portabilidade numérica, palavrinha mágica

Que as pessoas vivem tendo problemas com as operadoras de telefonia não é novidade. Cada hora surge uma nova dica de como se fazer ouvir pelos atendimentos dos callcenters, que incessantemente perguntam sua linha, seu CPF, perdem seu registro, reiniciam o atendimento, e quando parece que o problema enfim vai ser endereçado....cai a ligação ou o sistema. E vamos lá começar tudo de novo...Cada vez que tenho que resolver alguma questão com minha operadora reservo no mínimo 40 minutos do meu tempo e muita paciência. Pois descobri uma palavrinha mágica que agiliza meu atendimento e torna as telefonistas subitamente gentis, simpáticas e servis. Recupero minha dignidade junto as operadoras quando digo "não vejo a hora de implementarem a portabilidade numérica, vou deixar vocês no mesmo instante".
A portabilidade numérica está aprovada e regulada pela Anatel, mas alguns detalhes destes trâmites ainda estão sendo resolvidos, como os "inibidores". Os inibidores são medidas para dificultar o uso desta portabilidade, ou seja, fazer o usuário pagar uma taxa pela troca de operadora, ou ter que fazê-la pessoalmente numa loja. A empresa responsável pela gestão deste processo é a ClearTech, que fica incumbida de consolidar todos os números e monitorar todas as trocas. A portabilidade tem agitado principalmente o mercado de VAS (serviços agregados para celular como jogos e assinaturas de notícias), que estuda como ficará a oferta destes serviços frente à possibilidade de migração de operadora, dado que cada operadora tem uma política de VAS, com diferentes preços e formas de atuação.
Não sei quantos usuários terão interesse em utilizar este serviço de portabilidade, os números lá fora giram em torno de 5 a 9%. Para mim sempre foi um nó mudar meu número, mantenho o mesmo celular desde 2000, quando adquiri meu primeiro aparelho. Aguardo ansiosamente a implementação da portabilidade! Enquanto ela não chega, e para os mais desapegados, fica a dica de um site para achar e ser achado, o Mudou Para. (http://www.mudoupara.com.br/)
Espero que a portabilidade faça as operadoras entenderem que elas devem se relacionar com o ser humano por trás do número, já que este número, não é mais exclusividade delas.

quinta-feira, 20 de março de 2008

A mobilidade e o cocooning

Um projeto bem bacana chamou minha atenção enquanto pesquisava usos da tecnologia móvel, o Alô Cidadão. Trata-se do uso dos aparelhos celulares para promover a inclusão social. O sujeito se cadastra e passa a receber alertas via SMS (torpedos) com temas variados: vão de vagas de emprego a oportunidades de serviços, como a pintura de uma residência, passando pelos torneios esportivos da comunidade. O mais interessante é a razão pela qual o projeto nasceu: voluntários na favela da Pedreira, em Belo Horizonte, queriam comunicar a abertura de vagas numa rede de varejo próxima e não conseguiram chegar à comunidade para avisar as pessoas por conta de conflitos entre traficantes.

Isso me remete a uma previsão da futuróloga Faith Popcorn, que trata do enclausuramento, ou cocooning, lembram-se disso? Muitos afirmam que esta tendência é devida à violência dos dias de hoje. As pessoas temem sair de casa. Verdade. Mas como fica o cocooning quando consideramos a mobilidade que vivemos atualmente?

Passei o final de semana com 2 jovens de São Paulo num projeto em que sou voluntária, onde levamos crianças para o contato com a natureza. Fico feliz ao poder propiciar uma interação mais humana e natural com estes adolescentes que vivem enclausurados em shoppings, condomínios ou na frente de videogames. Após dois dias inteiros andando no mato, fazendo trilhas e tomando banho de rio, perguntei à uma das jovens o que ela faria ao chegar em casa. Ela respondeu: "vou direto ao MSN e Orkut, minha vida toda está lá". Fiquei um tanto surpresa: parece-me que até mesmo a vida real está a serviço da vida virtual. A experiência de vida é legal porque você pode postá-la e interagir virtualmente com sua rede social, fomentando-a.

Interessante. Nesta pegada vemos os sites sociais como Orkut, MSN e Twitter sendo transformados em aplicativos móveis, indo parar dentro dos celulares. O 'real time' é objeto de desejo dos jovens, sincronizando a vida real e a virtual. Talvez daí venha um viés a essa teoria do enclausuramento, onde as pessoas buscarão viver experiências interessantes para poderem compartilhar com seus amigos. Espero que a mobilidade nos permita driblar a violência e ter mais liberdade, vivendo a vida em todas as suas possibilidades.

sexta-feira, 7 de março de 2008

The day of light

Segue aqui a dica de um manifesto que está sendo difundido em diferentes países e idiomas através de ações na internet. É o Dia da Luz - The Day of Light - no dia 9 de março, quando as pessoas deverão comprar jornais e revistas que tragam ao menos uma matéria otimista e positiva na capa. Segundo os organizadores, a idéia é mostrar que notícia boa também vende. No fundo trata-se de uma defesa do direito que todos temos de acreditar que as coisas podem ser melhores e mais justas. Um pedido pelo maior equilíbrio entre notícias negativas e positivas, um NÂO ao medo e a desesperança. Este tipo de manifesto, organizado pela sociedade civil, dá pistas sobre o fracasso da reestréia do Aqui Agora, comentado esta semana.

Segue abaixo o vídeo do projeto, desenvolvido num mood bem "The Secret". J

http://www.thedayoflight.org/video_portugues.htm

Mais sobre o projeto aqui: www.thedayoflight.org

terça-feira, 4 de março de 2008

Branding, tecnologia e o ser humano

E por falar em entendimento do comportamento do consumidor e tecnologia (nota de ontem), segue a dica de um projeto desenvolvido pela Sense Worldwide, o "I love my..." (http://www.senseworldwide.com/ilovemy/). O projeto é um chamado para que os Sensers postem num site seu amor por alguma coisa – o tema varia - e isso vira uma série de books comportamentais, uma fonte rica de insights sobre o ser humano/consumidor. Os Sensers são pessoas cadastradas no network da Sense Worldwide, designados como "um grupo de indivíduos criativos, motivados e com opinião própria, de todas as partes do mundo". Achei inspirador :-)

De uma forma muito interessante eles conseguiram reunir tecnologia e comportamentos existentes para obter conhecimento humano, organizando um network colaborativo de forma lúdica.

Na página de apresentação do projeto a justificativa: "Comunicação é sopa hoje em dia (sic), então pensamos que poderíamos utilizar a nosso favor a tecnologia do dia-a-dia para criar um book utilizando nosso network." Simples assim. Vale conferir o resultado no site - o tema passado foi "I love my chair", o ganhador postou uma foto do banco de sua bicicleta - e mesmo não sendo um Senser você pode participar mandando sua foto/texto. São dois os temas atuais: "I love my mum" e "I love my shirt". Vá lá e manifeste seu amor :-)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Assim caminha o mercado – 1 parecer

Tenho aproveitado este agitado período pós carnaval - onde o ritmo dos negócios se intensifica e o mercado parece que desperta - para buscar uma recolocação profissional. Sou publicitária de formação, com um currículo que pode refletir o de muitos leitores, dado que passei por agência, multinacional e veículo. Pois trago um panorama: o que o mercado está demandando para este profissional?

As empresas que têm me chamado para entrevistas podem ser divididas em 2 categorias: mobile mkt e branding.

Os business de mercado mobile apresentam-se com crescimento mensal de 2 dígitos, seja empresa de conteúdo, marketing móbile ou comunicação via SMS. Em uma das conversas, fiquei sabendo que hoje existem mais de 90 empresas atuando no mercado de comunicação e conteúdo móvel no país, um crescimento virulento, reflexo da própria expansão da base de usuários de telefonia móvel. Atualmente são mais de 112.000.000 de celulares em operação no Brasil - uma penetração comparada à TV aberta – sendo uma mídia que fica 24hs por dia em contato com o espectador. Não se trata de tecnologia elitista: este número abrange todas as classes. De fato, o mercado mobile está fervendo.

Na outra ponta estão as empresas de branding e comportamento do consumidor, numa acurada perseguição pelo ser humano, que por vezes acaba disperso pelas novas tecnologias e o ritmo acelerado das transformações do mercado, soterrado por uma avalanche de informações, imagens e conceitos. Numa troca de email com uma destas empresas de branding e comportamento do consumidor, observei que a assinatura trazia a seguinte recomendação: "beba água". Ao questionar o porquê desta bandeira, obtive a seguinte resposta:

"Sempre falo pras pessoas beberem àgua, pq muitas delas simplesmente 'esquecem'. Porém a H2O é vital para sobrevivermos, uma necessidade básica. A bandeira levantada é uma preocupação com o ser, humano que somos, e o cuidado que estamos tendo com nosso próprio organismo. A função da empresa é essa. Fazer as pessoas pensarem porque bebem ou não água, ou porque vendem um produto e como. As pessoas precisam se repensar, como pessoas."

Acho mesmo é que precisamos nos repensar não só como pessoas, mas também como profissionais, diante desta velocidade de mudança comportamental e de mercado. E que devemos beber bastante água!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Comunicação: um elemento feminino na web

Não pude deixar passar batido o comentário citado aqui de manhã, sobre as garotas mandarem na Web. "Ué, não foi o que eu vi na Campus Party" – pensei na hora, local onde a grande maioria das pessoas eram garotos. De fato, esta tendência masculina é comprovada quando analisamos o mercado de trabalho. De acordo com o Escritório de Estatísticas do Trabalho de NY, o desequilíbrio entre adultos na indústria de computação é grande. As mulheres detêm cerca de apenas 27% dos empregos nas ocupações de computação e matemática.

Então como assim a Web é das garotas???

Aprofundando o tema, vejo do que se trata a colocação: conteúdo. As garotas adolescentes produzem, percentualmente, muito mais conteúdo do que os garotos, na forma de blogs, sites pessoais (para si e para os outros) e criação de perfis em sites de redes sociais. Não é de se estranhar, afinal estamos falando do bom e velho diário (ou agenda) repaginado, uma cultura típica das meninas, seres que por natureza adoram falar, comentar, dividir. J A boa nova é que com a internet este diário pode ser compartilhado infinitamente, fomentando uma rede de troca de experiências e apoio entre as garotas adolescentes, criando um rico acervo de cultura feminina na Web.

Além de fazer as vezes do diário, as páginas pessoais (site, blog ou perfil) funcionam como um instrumento de identidade das garotas. Ali é como elas se mostram ao mundo, de um jeito único e exclusivo.

Ou seja, contar causo pela internet duplica o poder de expressão da mulher J

Esse desejo de expressão visual fica evidente quando as meninas criticam farsantes online que essencialmente roubam o conteúdo de suas páginas e gráficos fazendo hotlinking (um link para a imagem de outra pessoa de forma que aparece na própria página). Além de sobrecarregar as linhas de comunicação, é o equivalente digital de chegar a uma festa usando o mesmo vestido que outra menina.

Não é de espantar que as meninas façam advertências agressivas em seus sites, como: "Não copie, roube ou redistribua nada das minhas coisas!" ou "Faça um hotlink e morra."
J

Vejo que as garotas dominam a web no quesito criação de conteúdo, e ainda sim vemos que se trata de um conteúdo um tanto particular e nada técnico. O porquê destas garotas não permanecerem no ramo na computação quando adultas pode ser explicada pela frase de Jane Margolis, autora de "Unlocking the Clubhouse: Women in Computing": "apesar de as meninas dominarem programas como Paint Shop Pro, há uma profunda distinção entre usar softwares existentes e o desejo de inventar novas tecnologias."

Seja qual for a razão, fico feliz de perceber que, sorrateiramente, a cultura feminina registra e garante a perpetuação de sua sabedoria neste território livre e democrático que são as páginas da web. Que este conhecimento seja duradouro, ou, até a próxima inquisição! ;-)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Cobertura Campus Party

Depois da enxurrada de estímulos recebida em 2 dias de Campus Party, passei o final de semana digerindo a batelada de novidades e informações. Duas tendências ficaram retumbando, divido aqui para os que não puderam acompanhar o evento refletirem também.

1. Interatividade não por mera interação. Interatividade é colaboracionismo, troca de informação, aprimoramento e evolução. Uníssono em praticamente todas as palestras, - desde Maddog, ativista do Linux; aos hackers - todos defendem a necessidade de esta interação coletiva livre - ou seja, todo tipo de redes - ser um instrumento de aprimoramento do conhecimento, através da colaboração entre seus membros. Este conceito, apesar de aplicável a qualquer campo do conhecimento humano; aqui é de trazido à luz no contexto da tecnologia, afinal estamos falando de geeks e nerds. Para esta "lapidação coletiva" do conhecimento ser possível, pressupõe o fluxo livre de informações, proposta que vai contra a ordem vigente relativa ao tipo de tecnologia (software) que adotamos. A grande maioria são softwares proprietários, cujo código não divulgado impede que qualquer pessoa possa contribuir para o aprimoramento destes, pesquisando e descobrindo falhas, bugs e upgrades. O bloqueio do fluxo da informação torna o desenvolvimento do software mais lento, gargalando a evolução da tecnologia. (Aqui um parêntese: quantos gargalos não são criados em nosso dia-a-dia por falta de deixar fluir mais a informação?). Este colaboracionismo também ficou evidente na palestra de Steven Johnson, considerado um dos mais importantes estudiosos da cultura digital. Citou um exemplo cotidiano: a descoberta de que o cólera não vinha do ar mas sim da água veio do cruzamento de informações, entre as comunidades que se conectaram, percebendo que as pessoas que morriam da doença eram aquelas que viviam próximas a reservatórios de água nas cidades. Interessante, não? A ordem aqui é dividir o conhecimento. A máxima que ouvi a esse respeito, vinda de um dos organizadores do evento foi: "se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã, e a gente trocar; você fica com uma maçã e eu com a outra maçã. Se você tem uma idéia e eu tenho outra idéia, ao final, quando a gente trocar, você vai sair com duas idéias e eu com duas idéias." Na era da informação e do conhecimento, a ordem é dividir para somar. Faz sentido, não? ;-)

2. Software como serviço e não como produto. Este é o lema dos defensores do Linux. Nós temos mania de pensar em software como produto, né? Compramos o tal pacote, bem tangível (dá até para embrulhar para presente!), e nos acorrentamos para sempre à sabedoria de uma companhia, que será a única responsável pela evolução daquele "produto", com seus pacotes de atualização. Enquanto isso inúmeros softwares livres são disponibilizados (e, aprendi lá, livre não quer dizer gratuito), que permitem que todo o resto da humanidade possa colaborar com seu desenvolvimento, pois os códigos são abertos e divulgados e estão a serviço de todos. Ou melhor, todos a serviço deles :-) A idéia é que o software seja um mero prestador de serviço, para o armazenamento, manuseio e troca de informação, seja ela qual for, aquela que lhe aprouver (texto, imagem, dado, voz). O software é somente um meio; mantido e aprimorado pela coletividade. Parece um raciocínio um tanto tribal, meio comunista – na verdade uma auto regulação de uma sociedade nova, interconectada e colaborativa - mas no meu entender o que está sendo proposto aqui é acessibilidade. Softwares livres prometem ser mais baratos e mais simples. Aparentemente, enquanto vivemos a ilusão de "adquirimos um produto", a velocidade de aperfeiçoamento e a qualidade deste "serviço" chamado software é que estão em jogo. Concluo: maior usabilidade é maior penetração.

Em tempo: a descoberta do protocolo TCP/IP (que permite a conexão entre computadores e viabilizou a internet) é bradada aos quatro cantos da Campus Party como exemplo de atitude colaboracionista, pois seu código foi mantido aberto e rapidamente evoluímos nesta tecnologia. Sem barreiras, em poucos anos construímos a gigantesca world wide web, promovendo a revolução digital. Hoje todos têm acesso livre à internet. Seu criador poderia ter ganhado rios de dinheiro se mantivesse o código como proprietário – e estaríamos na idade da pedra com relação à internet - mas preferiu manter a postura de livre fluxo de informação. Soa kamikaze frente a uma realidade de mercado capitalista, mas esta parece ser a atitude da nova era. O ganho deve ser coletivo. Dividir para somar.

Depois de viajar o pensamento anos luz neste futuro, volto ao presente e revejo nossa troca de informação - muitas vezes precária, mesmo a cotidiana - e nossos softwares proprietários, cheios de bugs e telas azuis. Penso nas licenças, nos direitos autorais e na pirataria. Liberdade, acessibilidade, fluxo livre de informação... Será possível controlar este movimento? E mais: é aí que devemos empregar nossa energia? Na proibição e no controle?

A Campus Party mudou meu eixo de entendimento de valor desta nova era. São novas regras. Não é o código, é o que você faz com o código. Não é a música, é o que você faz com a música. Não é a idéia, é o que você faz com a idéia. Acesso a informação e conteúdo é direito (e dever) de todos na sociedade digital. Ganhar dinheiro com isso são outros quinhentos. Pensar desta forma parece assustador, mas abre inúmeras possibilidades. É ver pra crer.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Uma tarde no Campus Party: relato de uma leiga

Ontem passei uma tarde no Campus Party, dando uma volta pelo futuro. Fiz um apanhado geral e tento dividir aqui, para que mais pessoas, talvez leigas como eu, tenham noção deste universo que nos parece à vezes distante, um tanto misterioso, quase subterrâneo. Pois os geeks e nerds desentocaram. :-)
Imagine o pavilhão da Bienal no Ibirapuera. (Se você é afeito a Bienais, SPFWs ou feiras em geral sabe bem como é o prédio). No térreo, na entrada principal, ficam os stands de patrocinadores e lanchonetes. Ao centro, demonstrações de engenhocas em diferentes stands, entre elas uma surface (tipo a da Microsoft) com jogos, softwares de desenho e manuseio de fotos; e outra surface "musical", onde a disposição de peças de acrílico na superfície dão as notas musicais. O movimento e interação das peças compõe novos sons, um verdadeiro fazedor de música high tech, muito geek :-) E tudo está ali para ser manuseado pelo público, afinal interação é palavra de ordem por aqui.
Subindo a rampa chega-se à área restrita aos pagantes do evento e jornalistas. O mezanino, onde normalmente fica a Sala de Imprensa em feiras na Bienal, é o refeitório. Ali funciona o restaurante que atende os campuseros. Escada rolante e chegamos ao primeiro piso, o principal, onde fica o "aquário" reservado aos jornalistas. Todo o andar é tomado por grandes bancadas coletivas do lado esquerdo, e palcos do lado direito. Sobre as bancadas banners indicam os temas, para as comunidades geeks organizarem-se por afinidade: robótica, softwares livres, simuladores, games... Para cada "grupo temático" no lado esquerdo do pavilhão, há um palco discorrendo sobre o mesmo tema, que fica do lado direito. As palestras são muito interessantes. Assisti um debate no palco principal sobre o jornalismo na era digital, com Pedro Doria, Rosana Applebaun e Heródoto Barbeiro entre outros, mais um grupo de 10 blogueiros. A discussão foi acalorada, confrontando a imprensa oficial x a imprensa informal, realçando a importância da qualidade da informação em ambos os casos.
As bancadas estão tomadas por gente jovem, num Woodstock tecnológico. Sobre elas, máquinas e equipamentos montados pelos geeks, numa grande oficina coletiva. São hardwares em formatos inusitados, computadores "tunados" com as peças mais esdrúxulas (aqui eles falam "modding" - modificação de aparelhos), pecinhas e ferramentas espalhadas. Um assiste LOST, outro baixa arquivos, uma garotinha desenha no Corel Draw. As crianças concentram-se na bancada de games. Os maiores divertem-se com as máquinas. Todos bebem Red Bull. Dois garotos testam o poder de seus robozinhos (um monte de lata com rodinhas e muita tecnologia) dentro de um círculo branco demarcado no chão: quem conseguir expulsar o outro ganha, num verdadeiro sumô. Outro menino brinca com seu robô catador de bolinhas de tênis, que mais parece uma centopéia, enquanto outro pilota um tipo de Robo Arthur gigante (lembram desse?) que toca música. As palestras simultâneas do lado direito, sem isolamento acústico, dão o tom da balbúrdia sonora do evento. Com tantos estímulos ao mesmo tempo, há de se estar multiconectado :-)
E por fim o segundo andar, onde os campuseros descansam (será?) desta maratona. Centenas de barraquinhas azuis oferecidas pela organização são o alojamento dos participantes, e ocupam todo o segundo piso.
O clima é muito amistoso, as pessoas interagem sem grandes barreiras, pareceram-me cordiais uns com os outros e unidos em busca de aprimoramento e conhecimento, seja ele qual for. Toda interação é válida. De saída ainda pude ouvir um campusero, ao dar uma entrevista, dizer que estavam promovendo uma união tecnológica, humana e espiritual :-)
O evento é único, e vale a pena conferir (vai até domingo). O Campus Party me surpreendeu e, por que não?, emocionou. Saí de lá com a confiança renovada no futuro melhor ;-)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

O casamento maluco

Era uma vez uma turma de amigos que se reuniram numa longínqua floresta nas terras do Muito.

“Corram, senão iremos nos atrasar!,” disse a zebrinha apressada. “É o casamento do Sol com o Arco-íris, não podemos perder a hora!”

A chuva já tinha dado uma trégua, e todos estavam enfeitados para a festa.

A Zebra Nanda usava um belo vestido de babados, feito de um tecido fino que não amassava nunca. A estampa era toda zebrada, como não podia deixar de ser.

O ET Fael vestia uma roupa espacial, toda ajustada em seu corpo para segurar seus ectoplasmas e não deixar que eles escapassem de seu corpo. Toda vez que isso acontece ele vai para o cyberespaço e fica lá zanzando perdido um tempão.

O Torossauro Tantan vestiu seus tênis dançarinos pois queria arrepiar na festa de casamento. Completou seu visual com óculos escuros (Torossauros gostam de exibir seu cabeção com 3 chifres e um escudo).

Até o Arbusto Gugu resolveu deixar de lado seu trabalho na marcenaria para comparecer ao casório. Vestiu suas calças de cal e saiu muito elegante.

A princesa Tainá estava deslumbrante, usava um vestido feito de esperança, fino e suave, na cor champanhe, costurado especialmente para a ocasião. Cobriu sua cachola com o chapéu mágico de sua avó, a anciã da floresta, e avisou a todos: está na hora pessoal!

Chegando na festa encontraram a bicharada já muito animada, mas os noivos ainda não tinham aparecido.

Nanda, a zebrinha, logo encontrou seu amigo Saci Branco. Ficaram conversando um tempão para matar as saudades, pois há muitos anos não se viam.

Fael, o ET, sentou-se tranquilamente no gramado para fumar seu cachimbo, que enchia o ar com a névoa da paz. Todos estavam muito contentes.

Tantan, o Torossauro, ficava de longe observando a princesa. Ele gostava muito dela, mas era muito desajeitado e tinha medo de machucá-la com seus chifres.

Gugu, o Arbusto, estava muito cansado de tanto trabalhar e recostou-se numa cadeira para esperar o casamento começar.

Tainá, a princesa de chapéu, encontrou seus amigos queridos. A rena Nunu e o morcego Cid estavam no banco do jardim. Sentou-se com eles e começaram uma animada conversa. A rena Nunu levou uma máquina fotográfica super especial. As fotos que eles tiravam não conseguiam ficar paradas, eram fotos que saiam andando para lá e para cá!

De repente um barulho de sinos se espalha pela floresta. É a Sacerdotiza Celeste convidando todos para se aproximarem do altar! A cerimônia já vai começar.

O altar ficava no centro de uma mandala, era todo branco, rodeado por rosas brancas, e a Sacerdotiza aguardava os noivos. O céu, que ainda estava meio cinza por causa da chuva, abriu-se para o Sol passar.

O Sol iluminou as gotinhas de chuva que ainda pairavam no ar e assim chegou o Arco-Iris. O céu se encheu de cores num lindo espetáculo!

Durante a cerimônia, as tias e avós do Sol e do Arco-íris choravam emocionadas e exclamavam:

- É o casamento mais lindo que já vi!

- Veja que beleza são os noivos, que belo casal!

- Ó quanta felicidade, quanta alegria! Que perdure por toda a vida deles!

Ao final da cerimônia todos levantaram suas taças e fizeram um brinde: "Viva os noivos! Viva! Viva! Viva!"

A música ecoou pelos 4 cantos da floresta e todos começaram a bailar.

O Torossauro Tantan chegou deslizando na pista de dança, e com seus chifres levantava os convidados fazendo-os flutuarem no ar.

"Que dança maluca, Tantan!" - comentou Nanda.

"Eu estou adorando!" - exclamou Bibi, a abelhinha empolgada.

Todos se divertiam muito.

A princesa Tainá ficou olhando o Torossauro, tinha vontade de dançar com ele mas tinha medo de ser machucada. Fael resolveu ajudá-la.

"Tainá, você sabe dos poderes de seu chapéu mágico?"- perguntou ele

"Eu sei que ele me protege, foi minha avó, a anciã da floresta, quem me deu" - respondeu Tainá

"Esse chapéu é mágico" disse Fael. "Deixa eu te mostrar"

Tainá tirou o chapéu e Fael jogou um punhado de pó intergalático dentro dele. Na mesma hora uma fumaça cor-de-rosa cobriu a princesa, e quando se dissipou…Tainá tinha se transformado numa Torossaura!

"Pronto", disse Fael, "agora você pode se aproximar do Tantan sem medo"

Tainá ficou muito contente e na mesma hora puxou o Torossauro para dançar. Seus chifres se entrelaçaram e eles bailaram a noite toda. Sua alegria contagiava a todos.

No final da festa chegou Kris, o aviador maluco, convidando a bicharada para dar uma volta em seu barco alado. Sim, ele tinha um barco com asas, e voava! Na verdade era uma barca, e se chamava Txá-txá.

Os últimos convidados da festa subiram a bordo. Fael já não estava mais lá, pois ele dançou tanto que sua roupa abriu e seus ectoplasmas se espalharam, levando o ET direto para o Cyberespaço. Como ele dançava com a zebrinha Nanda no momento que isso aconteceu, ela acabou indo junto com ele e ficaram por lá vagando um tempo. Os noivos também já não estavam mais pois era de noite, e já tinham partido para a lua-de-mel.

O barco voador seguiu na direção do universo, e quando passaram pelo planeta Vênus Tantan e Tainá sentiram muita vontade de se beijar.

Eles aproximaram os lábios um do outro e quando se beijaram…um estrondo enorme assustou a bicharada. Tainá tinha virado uma estrela cadente e Tantan se transformou num cometa.

"Já sabemos de quem será o próximo casamento", disse Gugu, o Arbusto.

"Mas onde vai ser?", perguntou a rena Nunu.

"Onde o céu encontra o mar", explicou Kris. "Onde mais poderia ser?"

"Então….rumo ao horizonte!" Gritaram todos.

E voaram em festa, de festa em festa.