Não pude deixar passar batido o comentário citado aqui de manhã, sobre as garotas mandarem na Web. "Ué, não foi o que eu vi na Campus Party" – pensei na hora, local onde a grande maioria das pessoas eram garotos. De fato, esta tendência masculina é comprovada quando analisamos o mercado de trabalho. De acordo com o Escritório de Estatísticas do Trabalho de NY, o desequilíbrio entre adultos na indústria de computação é grande. As mulheres detêm cerca de apenas 27% dos empregos nas ocupações de computação e matemática.
Então como assim a Web é das garotas???
Aprofundando o tema, vejo do que se trata a colocação: conteúdo. As garotas adolescentes produzem, percentualmente, muito mais conteúdo do que os garotos, na forma de blogs, sites pessoais (para si e para os outros) e criação de perfis em sites de redes sociais. Não é de se estranhar, afinal estamos falando do bom e velho diário (ou agenda) repaginado, uma cultura típica das meninas, seres que por natureza adoram falar, comentar, dividir. J A boa nova é que com a internet este diário pode ser compartilhado infinitamente, fomentando uma rede de troca de experiências e apoio entre as garotas adolescentes, criando um rico acervo de cultura feminina na Web.
Além de fazer as vezes do diário, as páginas pessoais (site, blog ou perfil) funcionam como um instrumento de identidade das garotas. Ali é como elas se mostram ao mundo, de um jeito único e exclusivo.
Ou seja, contar causo pela internet duplica o poder de expressão da mulher J
Esse desejo de expressão visual fica evidente quando as meninas criticam farsantes online que essencialmente roubam o conteúdo de suas páginas e gráficos fazendo hotlinking (um link para a imagem de outra pessoa de forma que aparece na própria página). Além de sobrecarregar as linhas de comunicação, é o equivalente digital de chegar a uma festa usando o mesmo vestido que outra menina.
Não é de espantar que as meninas façam advertências agressivas em seus sites, como: "Não copie, roube ou redistribua nada das minhas coisas!" ou "Faça um hotlink e morra." J
Vejo que as garotas dominam a web no quesito criação de conteúdo, e ainda sim vemos que se trata de um conteúdo um tanto particular e nada técnico. O porquê destas garotas não permanecerem no ramo na computação quando adultas pode ser explicada pela frase de Jane Margolis, autora de "Unlocking the Clubhouse: Women in Computing": "apesar de as meninas dominarem programas como Paint Shop Pro, há uma profunda distinção entre usar softwares existentes e o desejo de inventar novas tecnologias."
Seja qual for a razão, fico feliz de perceber que, sorrateiramente, a cultura feminina registra e garante a perpetuação de sua sabedoria neste território livre e democrático que são as páginas da web. Que este conhecimento seja duradouro, ou, até a próxima inquisição! ;-)