segunda-feira, 26 de maio de 2008

Estamos em Marte

Esta semana fiquei pensando nas diversas formas de relacionamento que se abrem com as novas tecnologias móveis, globais e imediatas. Como este site não trata de aconselhamentos amorosos, foco aqui o relacionamento profissional, mais especificamente do tipo empresa/marca/produto/serviço para o cliente. Muito se fala em interatividade no âmbito da comunicação publicitária. Colaborativismo, participativo, 2.0. Adjetivos "must have" para qualquer comunicação de ponta que envolva as tais novas mídias. Pois este final de semana experimentei uma forma passiva de interação, e me senti muito incluída.
Ontem de noite a sonda Phoenix pousou em Marte, e eu estava lá. Após 10 meses viajando, Phoenix aterrisa no planeta vermelho em busca de água. Além de reports completos no site da Nasa (http://www.nasa.gov/mission_pages/phoenix/main/), a equipe do projeto criou um user para a sonda, que virou personagem no Twitter (http://twitter.com/MarsPhoenix) e passou a postar informações sobre sua viagem e aterrissagem, tais como "I've landed!!!!!!!!!!!!! " e "Cheers! Tears!! I'm here!". A sonda personificou-se tanto que eu senti vontade de mandar um beijo pra ela - via post, claro - quando ela pousou.
A TV Nasa não transmitiu a aterrissagem, mas estava tudo na CNN, ao vivo. Pelo Twinkle eu recebia os reports instantâneos da sondinha Phoenix no meu fone, na internet eu acompanhava os passos do projeto e informações de background, e na TV pude acompanhar a contagem regressiva para o pouso, direto da sala do JPL em Pasadena (Jet Propulsion Laboratory), super na torcida, me sentindo uma deles. Vibrei como que em final de campeonato: estamos em Marte :-)
Não precisei votar na cor da sonda nem participar de um concurso para a escolha de seu nome, mas senti-me muito incluída pela Nasa neste processo. Apesar de participar passivamente, a atitude aberta e transparente para com o público - 'será que vamos conseguir sucesso neste arriscado projeto?' - me cativou, e o grau de participação foi dado na medida em que forneceram diversas formas para as pessoas acompanharem esta conquista. Frente a este exemplo repensei meus conceitos de colaborativismo e interatividade. Ao invés de gastar energia chamando e puxando as pessoas para 'entrarem na casa', basta abrir as portas e descortinar as janelas para se ter um passo interessante no desafio de relacionar-se com o público digital.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Este é o ano do mobile marketing, já ouviu isso?

Esta semana teve Tela Viva no Frei Caneca, um evento sobre tecnologias móveis, que centrou seu foco em Mobile Marketing. Palestras, fóruns, discussões, networking. Cases. Exemplos e contra-exemplos. Possibilidades. Obstáculos. Oportunidades e novos caminhos. Fazendo um apanhado geral sobre o que foi discutido, destaco alguns pontos:
1. A visão cética das agências, representadas na explanação da DM9. Sincera e compreensivel. A percepção das agências de propaganda é que ações mobile atingem 8 mil pessoas. Talvez o alcance seja pequeno quando se trata de utilização do celular como mídia puramente, quando ele entra na história como 'cereja do plano'. Se pensarmos na utilização do celular como meio de participação de um sorteio, por exemplo, (através do envio de um pincode por SMS) este número atinge a casa dos milhões, como os cases da Promoção Vidão Melitta (mais de 4 milhões de pincodes enviados) ou do Guaraná Kuat e Coca-Cola. Afinal uma das grandes vantagens do celular, ainda que não como mídia, é justamente o imediatismo, o impulso. Mande e participe. Resposta na hora. O sucesso do número de interatividades é reflexo imediato da campanha promocional, materiais off e online, muito PDV. Estimule o consumidor.
2. A necessidade veemente de se pensar Mobile dentro de uma estratégia 360. Sozinho, apesar de poderoso, o celular não faz nada. É preciso pensar, entender, comunicar. Alguns erros foram apresentados por uma agência, que planejou ações mobile para uma rede de cinemas e na hora de implementar descobriu que algumas salas ficavam no subsolo dos prédios, onde os celulares não funcionavam... Fazer ação bluetooth sem suporte de comunicação (avisos para ativar o aparelho, promotoras, totens explicativos) também não é bacana. Enfim, mobile está aqui para inovar e complementar, de forma alguma substituir, principalmente porque não caminha sozinho.
3. O poder do celular x a real utilização: é unânime a crença no potencial latente e pouco explorado do celular. São 124 milhões de aparelhos. 99% de penetração do uso de SMS. Uma arma fulminante que caiu nas mãos do mercado publicitário, mas veio sem manual.
3. A percepção de 'bolha dos descamisados'. Achei interessante este termo utilizado por um colega na conversa de corredores. São milhares de novas empresas, pessoas e projetos apostando no Mobile Mkt brasileiro. Diferentemente da bolha da internet, aqui não existem grandes grupos investidores aportando capital, as expectativas são altas mas os investimentos não acompanham. Tudo muito cauteloso. Um tanto árido as vezes, eu diria.
4. A sensação de "mas qual é o próximo passo para tudo finalmente acontecer?". Um dos palestrantes proferiu uma frase que tirou risos da platéia. Segundo ele, há 3 anos ele vem ouvindo a mesma sentença: 'este é o ano do mobile marketing'. Fica mesmo aquela sensação de realização iminente, está tudo aí, por que não acontece de uma vez? Eu vejo 2 razões mais óbvias: cultura do mercado e dificuldades impostas por players na operação. Sobre a primeira razão, fica a certeza de que há um trabalho conjunto para o aculturamento do consumidor quanto as novas tecnologias e recursos. Agências de propaganda, mídia televisiva, agências mobile, integradoras e fabricantes de aparelhos estão em um esforço conjunto para tornar tudo mais simples e mais fácil, mais acessível em termos de entendimento e tecnologia. Já a segunda razão não sei dizer como vai caminhar. As operadoras tem dificuldade em lidar com este aspecto da utilização publicitária de suas redes, e muitas ações de Mobile Mkt ainda dependem das operadoras. Que não compareceram no Tela Viva (à excessão da Claro). Quando elas não se posicionam, o mercado sofre uma paralisia.
5. E por fim, um destaque ao principal ponto: este mercado, poderoso porém embrionário, precisa sim deste esforço conjunto entre os players da cadeia de valor para torná-lo cada vez mais robusto e próspero. E num cenário onde até mesmo o anunciante se posiciona como mídia - vide exemplo da Nokia em Mobile Advertising, que considera o conteúdo embarcado em seus celulares, bem como a caixa do aparelho, espaços publicitários - fica uma sensação e um medinho que a conta pode não fechar. A esperança é que o mercado publicitário, empresas e agências, entendam melhor e possam apoiar o mercado mobile, contribuindo para a boa estruturação e longevidade desde canal de comunicação tão poderoso. Oportunidades e cases de sucesso não faltam. Quem sabe não seja este (também) o ano do mobile marketing? ;-)

Holaz Blogz

Primeiro post neste digníssimo veículo, sinto-me honrada. Agradeço ao Renaton a oportunidade e a forcinha com os aspectos técnicos desta nova aventura :-)
O que me motivou a escrever este primeiro post foi um email que recebi, de uma conceituada agência brasileira (top 3 eu diria), que tem alma até no nome mas na hora do vamos ver escorrega... :-(
Vocês já devem ter recebido emails semelhantes, mas este ganhou, "hour concour". Vejam abaixo, o texto fala por si só:
"Pessoal, precisamos de uma grande ajuda de vocês!

Estamos selecionando candidatos Portadores de Necessidades Especiais para o cumprimento e preenchimento da Lei de Cotas de Deficientes para a Algência. Se alguém tiver o conhecimento de um profissional PNE com experiência mínima e que esteja procurando uma oportunidade de trabalho, por favor enviar CV ou entrar em contato:
**Precisamos com urgência, qualquer ajuda será imensamente agradecida** "
As estrelinhas enfatizando a urgência e imensa gratidão (?) são qualquer nota... E isto veio de um RH. Agora eu me pergunto: não te parece infeliz? As empresas podem ser multadas sim se não cumprirem a lei de cota mínima (se não me engano 5% do quadro de funcionários, acho que varia conforme porte da empresa), quando passam por algum tipo de consultoria ou avaliação passam a "se preocupar com o assunto", mas por um viés bem tosco, que é o mero cumprimento da Lei. Grotesco, parece um mercado persa, "preciso de um lote de deficientes", ou então uma Bolsa de Valores, "estou compradora!". Bota infeliz nisso. De qualquer forma vou enviar o email para a coordenadora do Terra, uma ONG para pessoas com deficiência visual que acompanho desde 2004, bem bacana. www.grupoterra.org. Quem sabe uma pessoa cega lá na agência ensine as pessoas a enxergar melhor as coisas ;-)

domingo, 4 de maio de 2008

Fogueira high tech

Que a tecnologia evolui numa velocidade de progressão geométrica acho que ninguém duvida. Enquanto nossa capacidade de assimilar novos conhecimentos parece evoluir em progressão aritmética, o que nos dá a sensação de descompasso e anacronismo, quando nos entendemos como seres analógicos vivendo numa era digital. A Fernanda Romano já escreveu sobre essa ansiedade de estar conectado à tudo a toda hora, e a angústia decorrente desta impossibilidade. Que a tecnologia nos permite avançar e vencer barreiras de tempo e espaço também ninguém duvida, e muitos já vivem assim fulltime, se desdobrando em mil com aparatos tecnológicos, dispositivos móveis, softwares e aplicativos. Chega a dar uma euforiazinha em ter o mundo nas mãos. E um friozinho na barriga em estar nas mãos do mundo.
Num seminário sobre "Meios digitais de relacionamento com o consumidor 2.0", ouvi panoramas sobre a Web que me fizeram ampliar os horizontes de uma maneira quase que assustadora. Os gráficos de blogs - com suas citações em outros blogs - com 1 dia de vida, uma semana, um mês e 6 meses é impressionante. As ramificações coloridas se sobrepondo dia-a-dia parecem um cérebro com suas ramificações nervosas, onde cada nódulo (cada blog) seria uma sinapse. Uma visão literalmente blowing mind. Pude constatar concretamente: estamos todos interligados, somos todos UM. Neste universo de opinião pública, um território de livre expressão, atuam os SACs 2.0, monitorando conversas, artigos, comentários e posts em sites de relacionamento social e blogs. Destacam as situações onde determinada marca é citada, e avaliam o nível de criticidade daquele comentário. Se foi chumbo grosso, corre escrever um scrap para o fulaninho e tratar de botar panos quentes na situação, afinal um boato na Web corre na velocidade da luz. Aliás, qualquer informação na Web tem a velocidade da luz, e assim que alguém clica o botão "postar", pronto: a pagina já foi de alguma forma indexada e não é possível voltar atrás. No mesmo seminário ainda pudemos discorrer sobre o papel do celular nesta nova era, e a visão muito interessante de um fabricante sobre a "quarta tela". Aqui http://www.youtube.com/watch?v=XpeNk3E36YU A primeira foi o cinema, a segunda a TV, a terceira o computador e a quarta o celular. No meu entendimento, todas versões modernas da boa e velha fogueira dos tempos neandertais, ao redor da qual os homens descansavam da caça fixando seus olhares no fogo e as mulheres cuidavam da comunidade, alimentando, conversando, curando. A diferença é que de seres coletivos estamos aparentemente nos tornando mais individuais, através de nossas fogueirinhas particulares. Depois de um dia inteiro expandindo minha mente sobre o mundo moderno, não pude deixar de lembrar: ainda sou um ser humano, meu dia continua tendo 24hs, preciso dormir 8hs, me alimentar 3x ao dia, ir ao banheiro outras tantas, e beber muita água. Tem gente que deve ficar triste com isso. Eu, ao contrário, me senti aliviada. Apesar dos incríveis avanços velozes da tecnologia, como ser humano e seres naturais que somos, temos uma evolução bem mais modesta. E é deste balanço que vem a nova era. Acredito que quem conseguir equilibrar estas duas realidades tem grandes chances de ser feliz, seja uma pessoa, uma marca ou, quem sabe, uma sociedade inteira. A sociedade dos seres humanos.