quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Uma tarde no Campus Party: relato de uma leiga

Ontem passei uma tarde no Campus Party, dando uma volta pelo futuro. Fiz um apanhado geral e tento dividir aqui, para que mais pessoas, talvez leigas como eu, tenham noção deste universo que nos parece à vezes distante, um tanto misterioso, quase subterrâneo. Pois os geeks e nerds desentocaram. :-)
Imagine o pavilhão da Bienal no Ibirapuera. (Se você é afeito a Bienais, SPFWs ou feiras em geral sabe bem como é o prédio). No térreo, na entrada principal, ficam os stands de patrocinadores e lanchonetes. Ao centro, demonstrações de engenhocas em diferentes stands, entre elas uma surface (tipo a da Microsoft) com jogos, softwares de desenho e manuseio de fotos; e outra surface "musical", onde a disposição de peças de acrílico na superfície dão as notas musicais. O movimento e interação das peças compõe novos sons, um verdadeiro fazedor de música high tech, muito geek :-) E tudo está ali para ser manuseado pelo público, afinal interação é palavra de ordem por aqui.
Subindo a rampa chega-se à área restrita aos pagantes do evento e jornalistas. O mezanino, onde normalmente fica a Sala de Imprensa em feiras na Bienal, é o refeitório. Ali funciona o restaurante que atende os campuseros. Escada rolante e chegamos ao primeiro piso, o principal, onde fica o "aquário" reservado aos jornalistas. Todo o andar é tomado por grandes bancadas coletivas do lado esquerdo, e palcos do lado direito. Sobre as bancadas banners indicam os temas, para as comunidades geeks organizarem-se por afinidade: robótica, softwares livres, simuladores, games... Para cada "grupo temático" no lado esquerdo do pavilhão, há um palco discorrendo sobre o mesmo tema, que fica do lado direito. As palestras são muito interessantes. Assisti um debate no palco principal sobre o jornalismo na era digital, com Pedro Doria, Rosana Applebaun e Heródoto Barbeiro entre outros, mais um grupo de 10 blogueiros. A discussão foi acalorada, confrontando a imprensa oficial x a imprensa informal, realçando a importância da qualidade da informação em ambos os casos.
As bancadas estão tomadas por gente jovem, num Woodstock tecnológico. Sobre elas, máquinas e equipamentos montados pelos geeks, numa grande oficina coletiva. São hardwares em formatos inusitados, computadores "tunados" com as peças mais esdrúxulas (aqui eles falam "modding" - modificação de aparelhos), pecinhas e ferramentas espalhadas. Um assiste LOST, outro baixa arquivos, uma garotinha desenha no Corel Draw. As crianças concentram-se na bancada de games. Os maiores divertem-se com as máquinas. Todos bebem Red Bull. Dois garotos testam o poder de seus robozinhos (um monte de lata com rodinhas e muita tecnologia) dentro de um círculo branco demarcado no chão: quem conseguir expulsar o outro ganha, num verdadeiro sumô. Outro menino brinca com seu robô catador de bolinhas de tênis, que mais parece uma centopéia, enquanto outro pilota um tipo de Robo Arthur gigante (lembram desse?) que toca música. As palestras simultâneas do lado direito, sem isolamento acústico, dão o tom da balbúrdia sonora do evento. Com tantos estímulos ao mesmo tempo, há de se estar multiconectado :-)
E por fim o segundo andar, onde os campuseros descansam (será?) desta maratona. Centenas de barraquinhas azuis oferecidas pela organização são o alojamento dos participantes, e ocupam todo o segundo piso.
O clima é muito amistoso, as pessoas interagem sem grandes barreiras, pareceram-me cordiais uns com os outros e unidos em busca de aprimoramento e conhecimento, seja ele qual for. Toda interação é válida. De saída ainda pude ouvir um campusero, ao dar uma entrevista, dizer que estavam promovendo uma união tecnológica, humana e espiritual :-)
O evento é único, e vale a pena conferir (vai até domingo). O Campus Party me surpreendeu e, por que não?, emocionou. Saí de lá com a confiança renovada no futuro melhor ;-)

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