domingo, 4 de maio de 2008

Fogueira high tech

Que a tecnologia evolui numa velocidade de progressão geométrica acho que ninguém duvida. Enquanto nossa capacidade de assimilar novos conhecimentos parece evoluir em progressão aritmética, o que nos dá a sensação de descompasso e anacronismo, quando nos entendemos como seres analógicos vivendo numa era digital. A Fernanda Romano já escreveu sobre essa ansiedade de estar conectado à tudo a toda hora, e a angústia decorrente desta impossibilidade. Que a tecnologia nos permite avançar e vencer barreiras de tempo e espaço também ninguém duvida, e muitos já vivem assim fulltime, se desdobrando em mil com aparatos tecnológicos, dispositivos móveis, softwares e aplicativos. Chega a dar uma euforiazinha em ter o mundo nas mãos. E um friozinho na barriga em estar nas mãos do mundo.
Num seminário sobre "Meios digitais de relacionamento com o consumidor 2.0", ouvi panoramas sobre a Web que me fizeram ampliar os horizontes de uma maneira quase que assustadora. Os gráficos de blogs - com suas citações em outros blogs - com 1 dia de vida, uma semana, um mês e 6 meses é impressionante. As ramificações coloridas se sobrepondo dia-a-dia parecem um cérebro com suas ramificações nervosas, onde cada nódulo (cada blog) seria uma sinapse. Uma visão literalmente blowing mind. Pude constatar concretamente: estamos todos interligados, somos todos UM. Neste universo de opinião pública, um território de livre expressão, atuam os SACs 2.0, monitorando conversas, artigos, comentários e posts em sites de relacionamento social e blogs. Destacam as situações onde determinada marca é citada, e avaliam o nível de criticidade daquele comentário. Se foi chumbo grosso, corre escrever um scrap para o fulaninho e tratar de botar panos quentes na situação, afinal um boato na Web corre na velocidade da luz. Aliás, qualquer informação na Web tem a velocidade da luz, e assim que alguém clica o botão "postar", pronto: a pagina já foi de alguma forma indexada e não é possível voltar atrás. No mesmo seminário ainda pudemos discorrer sobre o papel do celular nesta nova era, e a visão muito interessante de um fabricante sobre a "quarta tela". Aqui http://www.youtube.com/watch?v=XpeNk3E36YU A primeira foi o cinema, a segunda a TV, a terceira o computador e a quarta o celular. No meu entendimento, todas versões modernas da boa e velha fogueira dos tempos neandertais, ao redor da qual os homens descansavam da caça fixando seus olhares no fogo e as mulheres cuidavam da comunidade, alimentando, conversando, curando. A diferença é que de seres coletivos estamos aparentemente nos tornando mais individuais, através de nossas fogueirinhas particulares. Depois de um dia inteiro expandindo minha mente sobre o mundo moderno, não pude deixar de lembrar: ainda sou um ser humano, meu dia continua tendo 24hs, preciso dormir 8hs, me alimentar 3x ao dia, ir ao banheiro outras tantas, e beber muita água. Tem gente que deve ficar triste com isso. Eu, ao contrário, me senti aliviada. Apesar dos incríveis avanços velozes da tecnologia, como ser humano e seres naturais que somos, temos uma evolução bem mais modesta. E é deste balanço que vem a nova era. Acredito que quem conseguir equilibrar estas duas realidades tem grandes chances de ser feliz, seja uma pessoa, uma marca ou, quem sabe, uma sociedade inteira. A sociedade dos seres humanos.

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