quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Olimpíadas, uma reflexão

Vocês já pararam para pensar nas implicações intrínsecas ao fato de as Olimpíadas se realizarem na China?
Para começo de conversa, é uma brincadeira intrigante e muito criativa as 2 construções que abrigam as competições, totalmente lúdicas.
Cubo d´água. Onde já se viu água ser associada a formas exatas, retas, cúbicas? Água é o que há de mais fluido e orgânico na Natureza (você mesmo é composto por quase 90% dela). Achei um tanto curioso apresentá-la como um cubo.
Ninho de pássaro. Na Natureza, é uma construção que remete à suavidade, feito de finos fios, e abriga seres alados. Maior leveza não há. E na China, o ninho se faz com toneladas de metais e concreto, um tanto paradoxal, absolutamente interessante.
A China já usou outras formas arquitetônicas para se revelar. Um país de cultura milenar, mas que ao mesmo tempo se manteve fechado em relação ao resto do mundo desde a sua origem até hoje, tem em suas muralhas um símbolo bem significativo, que indica tanto a sua grande capacidade de construção e manifestação quanto também o quão fechado este grande país estava em relação a todos ao seu redor. É fascinante este momento de abertura que o país vive através das Olimpíadas, o gigante vermelho se abre para o mundo, e com ele a mente de 1/4 da população mundial, representada pelos mais de 1 bilhão de chineses que ali vivem. Enquanto havia muralhas cercando os corações e as mentes daqueles que lá estavam, isolando-os de todos ao seu redor, pequena era a sua perspectiva de mudança, envolvidos que estavam naquele lugar tão isolado e ao mesmo tempo tão populoso.
E agora, todas as culturas do mundo estão reunidas lá. Todas as raças da Terra estão reunidas lá. Toda a atenção de mais de 4 bilhões de seres humanos está focada lá. A China nunca mais será a mesma depois destas Olimpíadas, desta abertura, desta troca. O consciente coletivo do país deixa de vez o peso das tradições que atravancam o progresso, e se abre para o novo. E se a China - o país mais populoso do mundo, que mais cresce economicamente, que mais revela seu potencial - muda, o mundo muda. Não sei ao certo aonde estas mudanças nos levarão, mas tenho certeza que as coisas jamais serão como eram após estas Olimpíadas.
E até arrisco um palpite, considerando a data de início dos jogos (8/8/08): o oito é o número que representa a abundância. E, de fato, a China é abundância. Que esta abertura do país derrame sobre todos esta energia da abundância, para um mundo novo e criativo, onde ninhos se fazem de concreto e cubos de água se tornam possíveis.

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