quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sobre a questão do consumo no planeta

Parece um tanto quanto óbvio tudo o que foi falado no vídeo que a Mariana disponibilizou, bem didático por sinal. Parece também que muita gente está de fato sensibilizada pela questão, apesar de muitos adotarem o marketing verde só por modismo. Que seja, pelo menos o fato de falar no assunto desperta interessa e gera debates, reflexões.
Eu procuro fazer a minha parte. Busco consciência a esse respeito, e tomo atitudes. Reciclo meu lixo, penso na água enquanto me banho, escolho coisas com um minimo de processamento e industrialização (fazer feira é uma ótima opção), evito embalagens demasiadas, reutilizo, tenho minha xícara de café e meu copo de vidro no escritório, poupando copinhos de plástico. Moro há 2 quadras do meu trabalho, vendi meu carro e ando a pé ou de bike. Para distâncias maiores, faço uso da imensa frota de táxis instalada na cidade. Evito revistas de beleza, sem grande esforço consigo não ser uma fashion victim. Tenho peças em meu guarda roupa, que ostento com orgulho, com mais de 20, 30 anos. Coisas que eram da minha mãe, do meu pai, feitas pela minha avó. Recorro frequentemente a costureiras e sapateiros - ofícios em desuso nestes tempos de descartabilidade, de obsolescência prematura. Ouço sempre o mesmo conselho: quebrou, joga fora. Deu defeito, compra outro. Consumo fugaz.
E apesar de fazer minha parte, constatei que para cada saco de lixo que eu produzo, ainda existem outros 70 que ficaram lá atrás, feitos dos resíduos da produção do meu consumo. A meu ver, uma realidade alarmante.
E neste contexto, com certa surpresa - e indignação - constato que algumas empresas parecem não só não entender e nem se sensibilizar com nada disso (existe um planeta só delas?), como também andar na exata contramão de tudo que está sendo dito e mostrado. Vocês viram a nova linha de produtos Mentos? Eles lançaram, num curto espaço de tempo, uma gama enorme de variantes cujas embalagens são de plástico injetado. Tem de todos os formatos - ovais, quadradas, cilíndricas - de todas as cores - verde, amarelo, vermelho - e ironicamente abrigam o ícone da descartabilidade: goma de mascar. E custam em média 7 reais. Fiquei tão atônita que perguntei na loja de doces se eles recolhiam as embalagens, ou se pelo menos tinha refil. Não tem. Compre meia dúzia de chicletes e leve muito plástico junto. Surreal.
Aí fui ver onde era produzido todo aquele plástico: os produtos vem das filiais da Van Melle na Turquia e no México. Poisé, apesar de tanta evidência, ainda tem gente que pensa que o mundo pode ser dividido em partes, e acham que ao poluir o quintal a casa está sendo preservada. Uma pena. E como conhecimento humano e sabedoria popular são itens que não se descarta, relembro aqui a frase de meu pai: o pior cego é aquele que não quer enxergar.

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