quinta-feira, 20 de março de 2008

A mobilidade e o cocooning

Um projeto bem bacana chamou minha atenção enquanto pesquisava usos da tecnologia móvel, o Alô Cidadão. Trata-se do uso dos aparelhos celulares para promover a inclusão social. O sujeito se cadastra e passa a receber alertas via SMS (torpedos) com temas variados: vão de vagas de emprego a oportunidades de serviços, como a pintura de uma residência, passando pelos torneios esportivos da comunidade. O mais interessante é a razão pela qual o projeto nasceu: voluntários na favela da Pedreira, em Belo Horizonte, queriam comunicar a abertura de vagas numa rede de varejo próxima e não conseguiram chegar à comunidade para avisar as pessoas por conta de conflitos entre traficantes.

Isso me remete a uma previsão da futuróloga Faith Popcorn, que trata do enclausuramento, ou cocooning, lembram-se disso? Muitos afirmam que esta tendência é devida à violência dos dias de hoje. As pessoas temem sair de casa. Verdade. Mas como fica o cocooning quando consideramos a mobilidade que vivemos atualmente?

Passei o final de semana com 2 jovens de São Paulo num projeto em que sou voluntária, onde levamos crianças para o contato com a natureza. Fico feliz ao poder propiciar uma interação mais humana e natural com estes adolescentes que vivem enclausurados em shoppings, condomínios ou na frente de videogames. Após dois dias inteiros andando no mato, fazendo trilhas e tomando banho de rio, perguntei à uma das jovens o que ela faria ao chegar em casa. Ela respondeu: "vou direto ao MSN e Orkut, minha vida toda está lá". Fiquei um tanto surpresa: parece-me que até mesmo a vida real está a serviço da vida virtual. A experiência de vida é legal porque você pode postá-la e interagir virtualmente com sua rede social, fomentando-a.

Interessante. Nesta pegada vemos os sites sociais como Orkut, MSN e Twitter sendo transformados em aplicativos móveis, indo parar dentro dos celulares. O 'real time' é objeto de desejo dos jovens, sincronizando a vida real e a virtual. Talvez daí venha um viés a essa teoria do enclausuramento, onde as pessoas buscarão viver experiências interessantes para poderem compartilhar com seus amigos. Espero que a mobilidade nos permita driblar a violência e ter mais liberdade, vivendo a vida em todas as suas possibilidades.

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