Sábado fui ao cinema assitir a animação "9 - A salvação", de Tim
Burton. O codinome brasileiro soa bem num contexto apocalíptico. No
filme, máquinas se rebelam e subjugam humanos, exterminando a vida no
planeta. Cheguei em casa e assisti o "Eu, robô", blockbuster americano
com Will Smith, onde também as máquinas por alguma mutação improvável
resolvem ter livre-arbítrio que se sobrepõe á programação, vontando-se
contra os humanos. E o herói ainda nos lembra: "sinto saudades da
época em que humanos matavam humanos". Ah, ok, estou vivendo num
paraíso e não sabia, é isso?
Acho este mote apocalíptico meio nocivo, alimenta um medo no
inconsciente coletivo, de onde surgem mitos como 2012, o fim do mundo.
Vou te dizer que não é pouca gente que eu encontro por aí que fala com
temerosa certeza sobre este apocalipse. E para alimentar esta
insegurança, reprises incessantes na Globo do tsunami que varreu
alguns carros no estacionamento em Samoa, seguidas das imagens das
enchentes em Rio Preto e Belo Horizonte. Quanta fúria nos cerca, da
Natureza e das máquinas!
O medo é uma forma de controle, queria ser maior do que isso. Penso no
filme Laranja Mecanica retratando o futuro, a ultra-violencia é de
fato uma realidade, mas a evolução do audio foi o CD, e não as mini
fitas mostradas no filme. Em Admirável Mundo Novo, temos a Soma
descrita no livro, e hoje as drogas como realidade. Mas atualmente
nossa liberdade não é cerceada como se imaginou na ficção.
Acredito que arte e vida se imitem, e que nós sempre teremos a chance
de escolher o que queremos ver como retrato de futuro. Sem medo de ser
feliz :-)
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