Na semana passada fui comprar um modem 3G para acessar a internet em meu notebook de forma móvel. Este pequeno dispositivo se conecta à web através da rede de telefonia celular, até mesmo dentro do carro em movimento posso navegar, pois é como se estivesse falando ao telefone (com a diferença que o tráfego é de dados e não de voz). A tão esperada tecnologia 3G pode ser traduzida como a banda larga da telefonia, maior velocidade e qualidade em sua conexão – melhor som, melhor imagem - potência e capacidade. Inúmeras possibilidades. É, tentador.
As operadoras quase que simultaneamente lançam seus produtos 3G: telefones, modems e placas PCMCIA, todos preparados para navegar nas novas redes 3G, que paulatinamente são instaladas no país. A febre pelo novo traz correria às lojas, e eu também queria o meu modem 3G. Uma operadora lançou a promoção matadora: traga sua conta de internet de outra telecom, assine nossa conexão 3G e leve o modem gratuitamente. Foram quase dez dias entre conseguir ser atendida, conseguir reservar um modem e finalmente ser chamada para buscá-lo. Levei a última peça da loja, e na boca do caixa a surpresa: "olha, só que a promoção mudou, a tabela virou ontem e agora o modem não é mais gratuito, custa 199". Só para variar, aquela horrível sensação de impotência quando lido com operadoras me assolou. Lembrei dos desenhos animados onde o personagem constrangido vira um pirulito. "Sucker", senti e pensei, é assim que sou vista e tratada pelas operadoras. E eu sou 'apenas uma atendente', justificou-se a moça da loja. Um tanto injuriada, ainda tentei ir na concorrente para fazer melhor negócio, mas que nada: ali os modems haviam acabado há tempos e não havia previsão. Cansada dessa história, voltei e entubei a tal "mudança na promoção" apesar de ter feito a reserva da peça com antecedência - quando era gratuita - e fui para casa chateada. Que porcaria de experiência de compra, era para eu estar contente com minha aquisição mas me sinto pega numa emboscada.
Passado o desgosto inicial, vou usar minha nova conexão. "É plug & play – havia me explicado a atendente – basta conectar na porta USB e o software se instala automaticamente, já começa a funcionar, você fica apta a navegar na super velocidade do 3G". Uau. O argumento plug & play é deveras convincente: basta conectar o cabo e tudo acontece. Sorrisos. Bem, na verdade não foi assim. Penei horas para fazer o modem funcionar e não consegui. Os amigos geeks vieram me ajudar, um outro me auxiliava pelo Skype a descobrir o problema, enquanto eu baixava um software que um deles achou e me mandou para eu tentar instalar. E nada. Todos elocubravam: "deve ser porque a rede está congestionada", "talvez não esteja com sinal", "deve ser o firewall". Uma fuçação sem fim nas configurações, no painel de controle, e eu só pensando "minha nossa, eu nunca conseguiria fazer isso sozinha". Até que funcionou. E depois quando cheguei em casa não funcionou. E na derradeira tentativa, ao final do prazo para devolução da peça caso estivesse insatisfeita, funcionou de vez. Engraçado isso, parece que pegou no tranco. Achei que a tecnologia fosse uma coisa mais matemática e precisa, cartesiana. Mas não.
O aprendizado que fica desta experiência paradoxal – até mesmo a busca por velocidade pode ser um processo lento – é que de fato essa é a essência: para tudo nesta vida é preciso paciência. Tanto para as novas tecnologias como para as velhas humanidades. Talvez porque, como dizia Beverly Sills, não há atalhos para qualquer lugar que valha a pena.
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